
Uma rede social criada no Ceará e inspirada no Orkut já ultrapassou 4,7 milhões de contas cadastradas e aposta em um modelo alternativo às grandes plataformas globais. Batizada de Poosting, a rede prioriza a entrega cronológica de conteúdo, reduz o peso de algoritmos e tenta enfrentar a lógica de polarização associada às redes sociais tradicionais.
A plataforma foi criada por Afonso Alcântara, de 38 anos, formado em redes de computadores e análise de sistemas. Segundo ele, a inspiração veio do Orkut, rede descontinuada pelo Google em 2014. “Todo mundo gostava e tem saudade. Ele foi embora sem ter de ir”, afirmou. Um dos pilares da Poosting é o resgate das comunidades, recurso que marcou a experiência do Orkut no Brasil.
A principal diferença da nova rede está na forma como o conteúdo é distribuído. De acordo com Alcântara, não há priorização por número de seguidores nem impulsionamento por perfil. “Não temos algoritmo de influenciador. O feed está ao alcance de todo mundo”, disse. A lógica privilegia a ordem cronológica e a interação direta entre usuários.

Para o criador, o uso intensivo de algoritmos nas grandes plataformas contribuiu para o aumento da polarização política e social. “A pessoa vê só um lado, acha que aquilo é a verdade absoluta e entra no extremismo”, afirmou. Na Poosting, o que dá visibilidade é o nível de interação e o tempo de permanência na plataforma, e não a capacidade de amplificação artificial.
Em março de 2025, a empresa foi selecionada para o programa Google for Startups Cloud e recebeu R$ 1,5 milhão em créditos para serviços de computação em nuvem, além de mentoria e suporte técnico. Os dados da plataforma estão hospedados em data centers do Google nos Estados Unidos, o que, segundo Alcântara, garantiu estabilidade após a rápida viralização da rede.
Com o crescimento acelerado, a Poosting passou a limitar novos cadastros e hoje funciona apenas por convite. A empresa já recebeu propostas de compra e estima seu valor de mercado em cerca de R$ 100 milhões. “Nenhuma rede social se paga no começo. O custo é muito alto”, disse o fundador, que afirma estudar a venda parcial do negócio para garantir a continuidade do projeto.