VÍDEO: Billie Eilish, Bad Bunny e SZA protestam contra Trump no Grammy: “Foda-se o ICE”

Atualizado em 2 de fevereiro de 2026 às 6:33
Bad Bunny, Billie Eillish e SZA. Foto: reprodução

A maior noite da música mundial teve forte tom político na cerimônia do Grammy Awards. Artistas premiados, como Bad Bunny e Billie Eillish, usaram o palco para criticar as operações de imigração do governo de Donald Trump, que vêm gerando protestos em várias cidades dos Estados Unidos, especialmente em Minneapolis.

Billie Eilish, ao vencer canção do ano, afirmou: “É muito difícil saber o que dizer ou fazer agora. Ninguém é ilegal em terras roubadas. Precisamos continuar lutando, falando e protestando. Nossas vozes importam, e as pessoas importam”. “Foda-se o ICE”, disse ao ser ovacionada.

Entre os destaques da noite, o porto-riquenho Bad Bunny foi quem fez o discurso mais direto contra a atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE). “Antes de agradecer a Deus, vou dizer: fora ICE”, afirmou, ao receber o prêmio de melhor álbum de música urbana. Em seguida, acrescentou: “Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas — somos humanos”.

O cantor, que é a estrela do próximo Superbowl, também pediu que a reação aos abusos não seja movida pelo ódio. “O ódio fica mais poderoso com mais ódio. A única coisa mais poderosa do que o ódio é o amor. Por favor, precisamos ser diferentes. Se formos lutar, que seja com amor”, disse. O discurso ocorreu após semanas de tensão em Minneapolis e manifestações em diversas cidades estadunidenses.

Os protestos se intensificaram após as mortes de Renee Good e Alex Pretti, moradores de Minneapolis baleados por agentes federais de imigração. O caso gerou comoção nacional e críticas de parlamentares de diferentes partidos.

Na última sexta-feira (30), o Departamento de Justiça dos Estados Unidos abriu uma investigação de direitos civis sobre a morte de Pretti, enfermeiro de 37 anos, o segundo residente da cidade morto por agentes federais desde a chegada das operações ao estado. Good havia sido morto em 7 de janeiro por um agente do ICE.

Diante da repercussão, Trump afirmou que seu governo iria “reduzir um pouco a escalada” em Minnesota. Já o responsável pela política migratória, Tom Homan, declarou que as forças federais seriam reduzidas caso autoridades locais colaborassem. “Não estamos abandonando nossa missão. Estamos apenas fazendo isso de forma mais inteligente”, afirmou, sem detalhar as mudanças.

Outros artistas também usaram seus discursos para defender imigrantes. A britânica Olivia Dean, vencedora como artista revelação, disse: “Estou aqui como neta de uma imigrante. Sou fruto de coragem, e essas pessoas merecem ser celebradas. Não somos nada uns sem os outros”.

SZA, vencedora de gravação do ano ao lado de Kendrick Lamar, reforçou: “Por favor, não caiam no desespero. É um momento assustador, mas precisamos confiar uns nos outros e em nós mesmos”.

Antes mesmo do início da cerimônia, o tema já dominava o tapete vermelho. Muitos artistas usaram broches brancos com os dizeres “ICE OUT”. A cantora Kehlani afirmou: “O trabalho do artista é refletir o seu tempo. Temos a oportunidade de usar nossa voz com sabedoria”.

A cubano-estadunidense Gloria Estefan também manifestou preocupação. “Não acho que alguém queira fronteiras sem controle. Mas o que está acontecendo não é a prisão apenas de criminosos. São pessoas com famílias que contribuíram com este país por décadas”, afirmou. Ao receber o prêmio de melhor álbum tropical latino por “Raíces”, disse que os Estados Unidos precisam “honrar seus princípios democráticos”.

Já o cantor Shaboozey, vencedor em performance country em dupla, homenageou a mãe, imigrante nigeriana. “Imigrantes construíram este país. Isso é por eles e por todos os filhos de imigrantes”, disse.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.