Tony Garcia diz que atuava como “agente infiltrado de Moro” e que podia pedir grampo de alvos

Atualizado em 2 de fevereiro de 2026 às 8:22
Senador Sergio Moro, ex-juiz da Lava Jato. Foto: reprodução

Gravações oficiais da Justiça Federal trouxeram novos elementos sobre a atuação do senador Sergio Moro (União Brasil-PR) quando comandava a 13ª Vara Federal de Curitiba. Em vídeos obtidos pelo UOL, um ex-colaborador da vara afirma, diante de uma juíza, que atuava como “informante” direto do então magistrado e que tinha autonomia para solicitar interceptações telefônicas de pessoas consideradas estratégicas para as investigações.

As declarações foram feitas pelo ex-deputado estadual Tony Garcia em conversa com a juíza Gabriela Hardt, que assumiu a vara após a saída de Moro. O conteúdo se soma a acusações já em apuração no Supremo Tribunal Federal (STF), onde ele é investigado por suposto uso indevido de delatores para alcançar alvos que estariam fora da competência da Justiça Federal.

Nos vídeos, Garcia afirma que sua colaboração extrapolou o papel formal de delator. “Com o tempo, doutora Gabriela, eu fui agente infiltrado do Ministério Público. Eu trabalhei por dois anos e meio diuturnamente, por 24 horas, tendo um agente da inteligência da Polícia Federal ao meu dispor, para eu pedir segurança e interceptação telefônica que colaborasse com a Justiça”, disse.

Segundo o ex-deputado, Moro o chamava com frequência para discutir estratégias e indicava que ele buscasse novos colaboradores. Garcia relatou ainda que utilizava o telefone da própria 13ª Vara para contatar investigados. “Inclusive, uma das pessoas-chave desse inquérito eu levei para o acordo. Eu pedi para ele não ser preso. E ele foi lá e falou tudo. Que tinha conta fora e tal”.

O ex-deputado estadual Tony Garcia. Foto: reprodução

O material reforça questionamentos sobre possíveis abusos e sobre o grau de proximidade entre o então juiz e colaboradores das investigações. Moro deixou a magistratura e assumiu mandato no Senado em 2023.

O senador negou irregularidades e afirmou que “a investigação em curso no Supremo Tribunal Federal é baseada em relatos fantasiosos do criminoso condenado Tony Garcia”. Disse ainda que a colaboração do ex-deputado ocorreu entre 2004 e 2005 e que não teve acesso aos autos atuais.

Em outra manifestação pública, Moro declarou que gravações feitas por interlocutores não exigiam autorização judicial à época. “Foi a única autoridade de foro então gravada e o áudio não foi utilizado para nada”, afirmou, sustentando que os fatos estariam sendo retomados por motivação política.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.