O partido que quer derrubar veto “irracional” de Lula no Congresso

Atualizado em 2 de fevereiro de 2026 às 12:17
O presidente Lula (PT). Foto: Reprodução

O Progressistas definiu como prioridade no retorno dos trabalhos do Congresso Nacional a mobilização para derrubar o veto do presidente Lula (PT) a um projeto de regularização fundiária na faixa de fronteira, mesmo mantendo filiados em cargos estratégicos do governo federal, conforme informações do Globo.

A ofensiva deve mobilizar a bancada da sigla nas próximas semanas e explicita o distanciamento político em relação ao Palácio do Planalto.

A posição do PP foi reafirmada pela senadora Tereza Cristina, que classificou o veto como injusto e prejudicial a milhares de pequenos produtores rurais. Segundo ela, a decisão do governo desconsidera um acordo construído no Parlamento e aprovado por ampla maioria.

“Trata-se de uma medida irracional, que cria insegurança e trava o desenvolvimento do campo”, afirmou a parlamentar. “Já vencemos essa luta no Legislativo ao aprovar a proposta, e vamos vencer novamente ao derrubar o veto. Não abriremos mão da defesa da segurança jurídica e do direito de quem vive do trabalho no campo.”

De acordo com Tereza Cristina, a regularização fundiária na faixa de fronteira é vista pela bancada como essencial para garantir prosperidade, acesso a crédito e estabilidade aos produtores rurais, tema com forte apelo nas bases eleitorais do agronegócio e do interior do país.

Bandeira do Brasil com a Venezuela na fronteira — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR
Bandeiras do Brasil e da Venezuela hasteadas na região de fronteira entre os dois países. Foto: Caíque Rodrigues

Distanciamento político, mas com cargos no Executivo

A decisão do PP ocorre em um momento de maior afastamento entre o partido e o governo Lula, mesmo com a legenda ainda mantendo espaço relevante na Esplanada dos Ministérios.

Em setembro de 2025, a federação formada pelo Progressistas e pelo União Brasil anunciou oficialmente a saída da base aliada no Congresso. A orientação, divulgada em nota pelos presidentes das duas siglas, Ciro Nogueira e Antônio Rueda, determinava que todos os parlamentares filiados deixassem cargos no Executivo federal, incluindo ministérios.

A justificativa formal apresentada pela federação foi o desejo de se afastar do governo federal de olho nas eleições, com a sinalização de um alinhamento a um projeto de centro-direita. Na prática, porém, o desembarque não se concretizou integralmente.

O PP segue com o deputado federal licenciado André Fufuca no comando do Ministério do Esporte. Mesmo após a orientação partidária, Fufuca decidiu permanecer no cargo. A legenda reagiu afastando-o de funções internas, como a vice-presidência nacional do partido e o comando do diretório no Maranhão, mas ele não deixou a sigla nem entregou a pasta ministerial.

Além do ministro, o Progressistas mantém outros filiados em órgãos ligados ao governo. Há cinco meses, a federação PP–União Brasil contabilizava cerca de 140 correligionários ocupando cargos estratégicos no Executivo federal.