
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avalia lançar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao Governo de Minas Gerais em uma aliança com partidos do Centrão. A possibilidade voltou a ser discutida nos últimos dias, segundo aliados ouvidos pela Folha de S.Paulo, e já foi levada a dirigentes do União Brasil e do PP, que hoje formam uma federação.
De acordo com interlocutores, o avanço da ideia depende diretamente da posição do governador Romeu Zema (Novo), que é cotado para integrar a chapa presidencial de Flávio como vice. Caso dispute o Planalto, o vice-governador Matheus Simões (PSD) deve assumir o comando do estado e já declarou apoio ao governador na corrida presidencial, o que pode colocar o PL em desvantagem em Minas.
A estratégia de lançar Nikolas teria como objetivo garantir a Flávio um palanque competitivo em um estado considerado decisivo em eleições nacionais. Minas Gerais é o segundo maior colégio eleitoral do país e costuma acompanhar o resultado presidencial.
Integrantes do Centrão veem Nikolas como favorito em uma eventual disputa pelo governo estadual. Pessoas próximas a Flávio afirmam, no entanto, que o deputado já manifestou resistência à ideia em outras ocasiões.
No ano passado, o deputado disse que não pretendia disputar um cargo majoritário. Ainda assim, aliados do senador defendem uma nova tentativa de convencê-lo, diante da necessidade de um nome forte que concentre votos para o PL no estado.

Nikolas foi o deputado federal mais votado do país em 2022, com 1,47 milhão de votos, e o partido projeta que ele possa superar 2 milhões em 2026. No PL, a avaliação é de que seu desempenho eleitoral está ligado à forte presença nas redes sociais, o que o transformou em um dos principais cabos eleitorais da legenda nas eleições municipais de 2024.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio, disse não ter conhecimento formal das negociações, mas elogiou o nome do deputado. “Não soube. Mas é um bom nome. Se ele tiver interesse, vamos respaldar, mas até agora não manifestou”, afirmou.
Caso Nikolas não aceite a candidatura, o PL avalia outras alternativas em Minas, entre elas o senador Cleitinho (Republicanos), que já teve divergências com Jair Bolsonaro (PL) e sua família. Do outro lado, o governo Lula busca um nome competitivo para o estado e chegou a sondar Rodrigo Pacheco (PSD), além de considerar opções como Tadeu Leite (MDB) e Jarbas Soares.