VÍDEO: Em entrevista a Bannon, Epstein minimiza crimes e diz que não é “o diabo em pessoa”

Atualizado em 3 de fevereiro de 2026 às 6:55
Jeffrey Epstein em entrevista a Steve Bannon. Foto: reprodução

A divulgação de um novo lote de documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos trouxe à tona uma entrevista em vídeo na qual Jeffrey Epstein tenta relativizar sua própria imagem e minimizar a gravidade dos crimes pelos quais era acusado. O material, tornado público no fim de semana, integra a série de arquivos liberados com base em uma lei de transparência e reacende o debate sobre a atuação e as conexões do financista.

Com quase duas horas de duração, a gravação foi conduzida por Steve Bannon, ex-assessor do presidente estadunidense Donald Trump. O vídeo, cuja data não foi informada, aparenta ter sido registrado na residência de Epstein em Nova York. O financista morreu em 2019, em um suposto suicídio na prisão, enquanto aguardava julgamento por crimes sexuais envolvendo menores.

Durante a entrevista, Epstein reage às tentativas de Bannon de enquadrá-lo como uma figura central do mal. “Você acha que é o diabo em pessoa?”, pergunta o ex-assessor. “Não, mas eu tenho um bom espelho”, responde Epstein, sorrindo. Ao ser provocado novamente, acrescenta: “Não sei. Por que você diria isso?”. Veja a entrevista completa:

Ao longo da conversa, Epstein também procura reduzir o peso de sua condenação de 2008, quando se declarou culpado por solicitar uma menor para prostituição. Ele rejeita a classificação de “predador sexual de classe três”, categoria que indica alto risco à segurança pública nos Estados Unidos. “Não, eu sou o mais baixo”, afirma. Bannon rebate: “Mas um criminoso”. Epstein concorda: “Sim”.

A entrevista avança para a origem da fortuna do financista. Questionado se seu dinheiro seria “sujo”, por ter sido obtido ao assessorar “as piores pessoas do mundo”, Epstein afirma que seus ganhos foram legais, embora reconheça ambiguidades morais. “A ética é sempre um tema complicado”, diz. Como justificativa, menciona doações feitas para iniciativas de erradicação da pólio no Paquistão e na Índia.

Os documentos também indicam que Epstein manteve correspondência frequente com Bannon e teria se oferecido para ajudar a disseminar a ideologia conservadora do ex-assessor de Trump na Europa.

Desde dezembro, milhões de páginas, fotos e vídeos vêm sendo divulgados pelo governo estadunidense, ampliando o alcance das revelações.

O material revela ainda a extensa rede de contatos do financista, que incluía executivos como Bill Gates, artistas como Woody Allen e figuras políticas de peso, entre elas Trump e o ex-presidente Bill Clinton.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.