
O ensaio técnico da Acadêmicos de Niterói, realizado na Marquês de Sapucaí na última sexta-feira (30), gerou reação política após a exibição, nos telões, de provocações ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A escola prepara um desfile cujo enredo aborda a trajetória do presidente Lula, o que ampliou a repercussão do episódio entre parlamentares de direita.
A senadora Damares Alves protocolou uma denúncia no Ministério Público Eleitoral. Ela pede a responsabilização da agremiação por suposto uso de recursos públicos para “a promoção pessoal de candidato à Presidência da República, bem como efetuar propaganda eleitoral de forma antecipada”.
No âmbito estadual, o deputado Gil Diniz (PL-SP) afirmou ter encaminhado representação ao Ministério Público do Rio de Janeiro solicitando a abertura de inquérito. Para ele, o conteúdo exibido durante o ensaio extrapola os limites artísticos do carnaval.
Também houve manifestação no Congresso. O deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) criticou a escola nas redes sociais e escreveu: “Isso não é arte. É militância disfarçada”.

O caso chegou ao Tribunal de Contas da União. O auditor Gregório Silveira de Faria recomendou que o governo federal suspenda o pagamento de R$ 1 milhão previsto em acordo de cooperação entre a Embratur e a Liesa destinado à Acadêmicos de Niterói.
A recomendação atende a pedido de seis deputados federais do partido Novo, que apontam possível desvio de finalidade no uso de recursos públicos. O samba-enredo, intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, narra a trajetória pessoal e política do presidente, citado como possível candidato à reeleição em 2026.
Os parlamentares solicitam que o TCU impeça a apresentação do samba ou determine a devolução dos valores caso o desfile seja mantido com recursos próprios. Também pedem a responsabilização de gestores e autoridades envolvidas. Ainda não há prazo para julgamento.
Em nota, a Embratur informou que prevê repasse igualitário de R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Especial e afirmou não interferir na escolha dos enredos, respeitando a autonomia artística. A Acadêmicos de Niterói não comentou as críticas. A Liesa disse não ter sido notificada e ressaltou ser uma entidade privada, sem fins lucrativos, que cumpre diretrizes dos órgãos públicos.