
Antes de anunciar o envio de uma proposta própria sobre o fim da escala 6×1, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciou articulações com parlamentares que já apresentaram projetos sobre a reorganização da jornada de trabalho no Congresso Nacional. A estratégia envolve aproveitar iniciativas em tramitação para construir um texto com participação direta do Executivo, evitando sobreposição de propostas e ampliando a base de apoio político.
Entre os nomes centrais das articulações está a deputada federal Érika Hilton (PSOL), autora de uma das Propostas de Emenda à Constituição que tratam da mudança na escala de trabalho. A parlamentar ganhou destaque ao pautar o tema publicamente ao longo do último ano, sobretudo nas redes sociais, o que ampliou o alcance do debate fora do ambiente legislativo.
A capacidade de mobilização em torno da proposta foi observada por integrantes do governo e aliados do presidente, que passaram a considerar o tema como prioritário na agenda política. A avaliação interna é de que a discussão sobre a redução da jornada de trabalho tem alto potencial de engajamento social e dialoga diretamente com segmentos do eleitorado historicamente vinculados às pautas trabalhistas.
Além do texto apresentado por Hilton, o Palácio do Planalto também considera outras iniciativas em tramitação. A mais antiga é do senador Paulo Paim, apresentada em 2015, que propõe a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas. O projeto é citado como referência por já ter percorrido diferentes etapas do debate legislativo ao longo da última década.
Está chegando o dia de acabar com a vergonhosa escala 6X1 que tanto massacra a classe trabalhadora brasileira.
A nossa luta em sido grandiosa e o resultado ficará cravado como a grande mudança trabalhista do século.
A vontade do povo vencerá!
Vamos com tudo, Erika! ✊🏽 https://t.co/hAZN8pnkcF— Rick Azevedo (@rickazzevedo) February 2, 2026
Outro texto levado em conta é o do deputado Reginaldo Lopes, que propõe uma redução gradual da jornada de trabalho ao longo de dez anos. A proposta prevê uma transição escalonada, com ajustes progressivos, como forma de adaptação do mercado de trabalho às novas regras.
Em dezembro do ano passado, Érika Hilton, Reginaldo Lopes e Paulo Paim estiveram reunidos no Palácio do Planalto para discutir uma nova redação com participação direta do governo federal. O encontro contou com a presença da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, do secretário de Comunicação, Sidônio Palmeira, do ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.
Segundo informações apuradas pela CNN, a reunião também serviu para consolidar a adesão do governo ao tema como uma das bandeiras da campanha eleitoral de Lula à reeleição. A avaliação feita por interlocutores é de que a proposta possui forte apelo popular e pode ser incorporada ao discurso do presidente durante o período eleitoral.
Ficou fora dessas articulações o relatório apresentado pelo deputado Luiz Gastão, na subcomissão da Câmara que trata do tema. O parecer, ainda pendente de aprovação, defende a adoção da escala 4×3 e a fixação de jornadas semanais de 40 horas, em vez das 36 horas defendidas pelo governo. O texto também condiciona as mudanças à negociação com sindicatos por meio de convenções coletivas.