Trump agride jornalista por não sorrir ao perguntar sobre vítimas de Epstein

Atualizado em 3 de fevereiro de 2026 às 22:25
Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca, ao criticar a repórter Kaitlan Collins da CNN. Reprodução

Donald Trump criticou a repórter da CNN Kaitlan Collins por, segundo ele, não sorrir enquanto fazia perguntas sobre sobreviventes dos abusos de Jeffrey Epstein. O episódio ocorreu durante um evento no Salão Oval que o presidente pretendia usar para promover a si mesmo e ao seu partido.

A cena começou quando Collins observou que a tentativa de Trump de apresentar as novas revelações dos arquivos de Epstein como prejudiciais apenas aos democratas era questionável. Ela destacou que os documentos também indicavam proximidade de Epstein com dois aliados de Trump: Elon Musk e o secretário de Comércio, Howard Lutnick.

Trump reagiu com desdém quando a jornalista mencionou Musk e Lutnick. Disse que não havia lido as mensagens amistosas deles com Epstein — com quem o próprio Trump manteve relação social por 17 anos — e afirmou: “Tenho certeza de que está tudo bem, caso contrário teria sido manchete”. Houve, de fato, cobertura na imprensa sobre a extensão dos vínculos de Musk e Lutnick com Epstein além do que haviam admitido anteriormente.

Collins também mencionou críticas de mulheres que sobreviveram aos abusos de Epstein sobre a forma como o Departamento de Justiça divulgou os documentos, com trechos amplamente censurados, incluindo entrevistas completas de testemunhas. Trump tentou encerrar o assunto: “Acho que já é hora de o país seguir para outra coisa, agora que nada apareceu sobre mim”.

Trump demonstrou incômodo com as perguntas e sugeriu haver “uma conspiração contra mim”. Ele se referia a um e-mail já divulgado em que o escritor Michael Wolff teria incentivado Epstein a ajudar a “finalizar” a campanha presidencial de Trump em 2016, após a divulgação da gravação do caso Access Hollywood. Epstein não atendeu ao pedido, e a suposta conspiração não se concretizou.

Quando Trump repetiu que era hora de “seguir para outra coisa”, Collins questionou: “Mas o que o senhor diria às pessoas que sentem que não obtiveram justiça, senhor presidente?”

Visivelmente irritado, Trump respondeu com um ataque pessoal. Chamou Collins de “a pior repórter”, comentou com parlamentares republicanos presentes que ela era “uma jovem” e disse nunca tê-la visto sorrir. “Conheço você há dez anos. Acho que nunca vi um sorriso no seu rosto”, afirmou.

Collins rebateu: “Estou perguntando sobre sobreviventes dos abusos de Jeffrey Epstein, senhor presidente.” Trump ignorou a resposta e continuou a crítica, acusando-a de não dizer a verdade e chamando a CNN de “organização muito desonesta”.

A jornalista insistiu: “Estamos falando de sobreviventes de um abusador sexual.” Em seguida, Trump encerrou a interação e passou a palavra a outro repórter, que mudou de assunto.

Epstein, que morreu em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores, já havia sido descrito por Trump, em 2002, como alguém “muito divertido de se estar junto”, acrescentando que ele “gostava de mulheres bonitas tanto quanto eu, e muitas delas são mais jovens”.