
A nove meses das eleições presidenciais, aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam onde será necessário ampliar o desempenho em relação a 2022 para tentar derrotar o presidente Lula. O diagnóstico interno aponta dois eixos centrais: São Paulo, maior colégio eleitoral do país, e o Nordeste, região onde o petista construiu sua principal vantagem.
No cálculo do QG de Flávio, será preciso obter em São Paulo ao menos três pontos percentuais acima do resultado de Jair Bolsonaro em 2022. Isso representaria cerca de 772 mil votos adicionais, considerando o universo de 34,6 milhões de eleitores aptos. Naquele segundo turno, Bolsonaro teve 55,23% dos votos válidos no estado, contra 44,77% de Lula, vencendo em 547 dos 645 municípios, embora tenha perdido na capital.
Segundo a coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo, a ampliação dessa vantagem é vista como decisiva diante da expectativa de uma disputa novamente polarizada e apertada, como em 2022, quando Lula venceu por uma diferença de 2,1 milhões de votos, a menor desde a redemocratização. Paralelamente, os estrategistas de Flávio discutem a necessidade de reduzir perdas no Nordeste, sobretudo na Bahia e no Ceará, estados com histórico de governos de esquerda.
Em 2022, Lula venceu Bolsonaro apenas no Nordeste, com larga vantagem: 69,34% contra 30,66%. Nas demais regiões, o então presidente foi derrotado. Com esse mapa em mente, o núcleo duro da campanha de Flávio defende a importância de “fidelizar” eleitores em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, os três maiores colégios eleitorais.

Do outro lado, Lula também mira São Paulo. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, transferiu o domicílio eleitoral para o estado e deve disputar o Senado em uma chapa encabeçada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cotado para o governo paulista. A estratégia busca enfrentar o governador Tarcísio de Freitas, favorito à reeleição.
Após visitar Bolsonaro na Papudinha, Tarcísio declarou apoio à pré-candidatura de Flávio e disse ter um “projeto de longo prazo” em São Paulo. Para o cientista político Paulo Kramer, que colaborou no plano de governo de 2018, a aliança é central. “A ‘tabelinha’ Tarcísio/Flávio será indispensável para a volta da direita ao Palácio do Planalto”, afirmou.
Há críticas à estratégia. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, disse que “a rejeição ao bolsonarismo em São Paulo aumentou muito”. Já o professor Renato Perissinotto, da Universidade Federal de Santa Catarina, avaliou que o plano é coerente, mas alertou para riscos internos e externos.
“Primeiro, é preciso garantir que a direita não adotará uma postura autofágica. Segundo, é preciso ficar atento ao fato de que Lula tem a máquina do governo federal, que certamente será usada. O governo Lula tem ido bem no terreno da economia, mas isso não garante a vitória”, apontou.