O pecado mortal de Chomsky em sua amizade com Jeffrey Epstein

Atualizado em 4 de fevereiro de 2026 às 17:38
Chomsky e Epstein no jatinho do bilionário pedófilo

O texto a seguir é do escritor e jornalista canadense Aaron Maté, que atua no site independente The Grayzone, uma das plataformas de jornalismo investigativo mais relevantes do mundo.

Maté já trabalhou como repórter e produtor em veículos como Democracy Now!, Vice, The Real News Network e Al Jazeera, além de ter contribuído para a revista The Nation:

Quero reconhecer um erro. Quando escrevi isso, eu não havia lido todos os e-mails divulgados, em especial a mensagem de fevereiro de 2019 na qual Chomsky deu conselhos a Epstein sobre como responder à cobertura da mídia a respeito de seus crimes.

O que eu havia visto até então dizia respeito a correspondências sobre uma disputa financeira na família de Chomsky, para a qual ele buscou a opinião de Epstein, além de trocas em que os dois discutiam viagens e encontros em anos anteriores.

Mesmo que Chomsky soubesse apenas pelo que Epstein havia sido condenado — aliciamento de uma menor para prostituição — e não tivesse lido as reportagens do Miami Herald que já circulavam em fevereiro de 2019, é inaceitável, para mim, que ele estivesse oferecendo orientação sobre como lidar com as consequências de imagem pública desses crimes. Não pretendo minimizar isso.

Os conselhos de Chomsky a Epstein sobre como lidar com a mídia

Como afirmei no meu texto original, considero que Chomsky demonstrou péssimo julgamento ao manter amizade com Epstein. Ele sabia com que tipo de pessoas Epstein se relacionava. Nesse mesmo sentido, também não compreendo como Chomsky pôde manter conversas privadas amistosas com o criminoso de guerra israelense Ehud Barak.

É lamentável que, por razões médicas, Chomsky não esteja em condições de se explicar. Espero que sua esposa, Valeria, que aparece nos e-mails de Epstein como uma interlocutora central, ofereça uma explicação pública.

Fiquei incomodado com o que vi como uma pressa em anular uma vida inteira de trabalho nobre e jogar Chomsky aos leões. Mas o respeito pela obra de Chomsky não justifica minimizar os danos sofridos pelas vítimas de Epstein.

Kiko Nogueira
Diretor do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.