
A Polícia Federal instaurou um novo inquérito para apurar uma estrutura de movimentação financeira usada na compra de ações do Banco de Brasília (BRB) que teria ligação com o Banco Master. A investigação apura se a aquisição das ações integrou um esquema relacionado à compra de carteiras de crédito consignado consideradas fraudulentas, avaliadas em R$ 12,2 bilhões. Com informações da Folha de S.Paulo.
Segundo as investigações, a compra das ações do BRB teria sido realizada por meio de uma cadeia de fundos de investimento administrados pela gestora Reag Investimentos. Esses fundos teriam funcionado como intermediários para ocultar os reais compradores dos papéis, em operações de aumento de capital realizadas pelo banco estatal em 2024 e 2025.
Além de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, o inquérito cita o ex-sócio do banco, Maurício Quadrado, e o empresário João Carlos Mansur, fundador e ex-presidente do conselho de administração da Reag. A apuração indica que os três teriam adquirido ações do BRB como pessoas físicas, utilizando nomes de terceiros por meio dos fundos, em desacordo com as regras de transparência de titularidade acionária.
Os investigadores apontam indícios de simulação nos contratos de subscrição de ações em duas operações de aumento de capital do BRB. Na primeira, homologada pelo Banco Central em 2024, o fundo Borneo, administrado pela Reag, adquiriu 44% das ações ofertadas. Na segunda operação, realizada em dezembro de 2025, o fundo Deneb, ligado ao Banco Master, comprou outra parcela relevante dos papéis.

O inquérito foi aberto após o novo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, encaminhar à Polícia Federal os relatórios de auditoria independente elaborados pelo escritório Machado Meyer Advogados, com suporte técnico da consultoria Kroll. Os documentos também foram enviados ao Banco Central e ao gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, relator do caso.
A auditoria identificou sobreposição de fundos e nomes envolvidos tanto na compra das ações do BRB quanto no esquema de aquisição de carteiras de crédito consignado. Parte dessas operações teria contribuído para melhorar a situação financeira do banco estatal antes da tentativa de aquisição do Banco Master, anunciada no fim de março de 2025 e posteriormente rejeitada pelo Banco Central, em setembro do mesmo ano.
Procurada, a defesa de Daniel Vorcaro afirmou que a participação do Master no BRB ocorreu por meio de sua holding, de forma regular e dentro das normas do mercado, com aprovação do Banco Central. Já a assessoria de Maurício Quadrado declarou que sua participação decorre da compra de recibos de subscrição no mercado secundário, sem ingresso de novos recursos no banco.
O BRB informou, em nota, que comunicou às autoridades os achados relevantes da investigação independente e atualizou sua composição acionária no formulário de referência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O banco também avalia medidas judiciais para recuperar ativos e não descarta pedir o arresto de ações atualmente em posse de fundos ligados ao Banco Master, como o Borneo e o Deneb.