
A Polícia Federal (PF) abriu, nesta quarta-feira (4), um inquérito para investigar o grupo Fictor, que apresentou uma proposta de compra do Banco Master no fim do ano passado. A apuração mira possíveis irregularidades relacionadas à atuação do conglomerado no sistema financeiro. Com informações da CNN Brasil.
Segundo a investigação, são apurados quatro crimes contra o sistema financeiro nacional: gestão fraudulenta, apropriação indébita financeira, emissão de títulos sem lastro, equiparados a valores mobiliários, e operação de instituição financeira sem autorização legal.
De acordo com informações apuradas pela CNN Brasil, o grupo Fictor já vinha sendo alvo de uma apuração preliminar. A instauração formal do inquérito ocorreu após a identificação de indícios que, na avaliação da Polícia Federal, justificaram o avanço das investigações.
No domingo (1), o conglomerado protocolou um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. Em nota apresentada no processo, a empresa afirma que a medida tem como objetivo “equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”.

No pedido, o grupo Fictor sustenta que uma “crise reputacional”, associada à tentativa de aquisição do Banco Master, contribuiu para a deterioração de sua situação financeira. A empresa relata que, até a véspera da liquidação do banco, havia recebido cerca de R$ 3 bilhões em aportes de sócios participantes.
Ainda segundo o grupo, entre essa data e o último dia 30, os pedidos de retirada de recursos alcançaram aproximadamente 71% desse montante. A companhia também informa que houve cortes e revisões de contratos comerciais, o que levou à liquidação de ativos classificados como “estratégicos” para recomposição de caixa.
O anúncio da negociação envolvendo o Fictor foi classificado pelo Banco Central do Brasil como uma “cortina de fumaça”. A autoridade monetária apontou que o grupo não teria condições de concluir a compra e que não foram divulgados os nomes dos investidores árabes citados na proposta, além de levantar suspeitas sobre a proximidade do anúncio com a atuação da Polícia Federal e do próprio Banco Central no caso do Master.