Testemunha quebra silêncio sobre desaparecimento de Madeleine McCann: “Ela não estava gritando”

Atualizado em 5 de fevereiro de 2026 às 7:03
Madeleine Mccann e Helge Busching. Foto: Reprodução

Uma testemunha ligada ao caso do desaparecimento de Madeleine McCann afirmou ter ouvido, anos após o crime, declarações que, segundo seu relato, indicariam envolvimento de Christian Brueckner. O alemão Helge Busching falou publicamente sobre o tema após ter prestado depoimentos anteriores às autoridades, relatando conversas mantidas com Brueckner em 2008, um ano depois do desaparecimento da criança.

Madeleine McCann desapareceu em maio de 2007, pouco antes de completar quatro anos, durante uma viagem com a família à Praia da Luz, em Portugal. Ela estava no quarto do hotel com os irmãos gêmeos enquanto os pais jantavam em um restaurante próximo. A menina nunca foi localizada, e o caso permanece oficialmente sem solução.

Busching relatou que conheceu Brueckner em Portugal e que os dois viajaram juntos para um festival de música na Espanha em 2008. Segundo a testemunha, durante uma conversa nesse evento, ele comentou: “Eu comentei com ele: ‘Nossa, eu não entendo como alguém pode tirar uma criança de um quarto de hotel e ninguém ver nada’”. De acordo com Busching, Brueckner respondeu: “é que ela não estava gritando”. A testemunha afirmou: “Eu sei o que eu ouvi dele, eu não sou estúpido. E eu fiquei pensando: como ele sabe? Para mim ficou óbvio que ele tem alguma coisa com isso, ele que tirou a Madeleine desse hotel.”

Ainda segundo o relato, Busching acredita que a fala não teria sido planejada. “Eu acho que ele falou para mim naquele momento acidentalmente. Ele foi embora pouco depois. Eu liguei para a polícia horas depois. Mas estavam recebendo muitas ligações sobre este caso na época e a minha foi ignorada”, afirmou. Anos depois, em 2017, ele voltou a procurar as autoridades e prestou novo depoimento formal.

O acusado Christian Brueckner. Foto: Reprodução

Busching também descreveu o que, segundo ele, era o histórico de Brueckner na região. “Christian tinha como especialidade arrombar casas de veraneio e quartos de hotel. Ele conhecia bem a região, trabalhava em hotéis como piscineiro. E eu acho que Christian pensou: ‘vou em um apartamento roubar’. Mas dessa vez, ele não pega coisas, ele pega a Madeleine”, declarou.

Um investigador aposentado ouvido no contexto do caso afirmou: “Ele é um ótimo suspeito circunstancial. Ele já cometeu crimes parecidos, nós sabemos que ele invadiu casas de férias antes. Ele tem interesse em crianças, já foi condenado por crimes de pedofilia. E isso dá credibilidade para o depoimento de quem vem a público e diz: ‘sim, eu cometi crimes, mas este crime é tão grave que eu preciso contar o que Brueckner me disse’.”

A testemunha disse não acreditar na versão apresentada por seu ex-amigo. “Eu não acredito nele. Ele é um grande mentiroso. Ele sabe o que eu vi e ouvi. Ele sabe”, afirmou. Sobre a situação atual, Busching declarou: “Eu acho difícil ver ele solto e ver que a polícia não conseguiu evidências suficientes para prendê-lo. Eu não entendo isso, não confio mais na Justiça alemã. O melhor seria a polícia inglesa pegar o caso da Madeleine e do Christian Brueckner.” As autoridades alemãs afirmam que Brueckner é suspeito, mas que não há provas suficientes para formalizar acusação pelo desaparecimento.