Sakamoto: Filhocracia do clã Bolsonaro enxota aliada e empurra alien pela goela de SC

Atualizado em 5 de fevereiro de 2026 às 10:38
Flávio, Carlos, Jair e Eduardo Bolsonaro. Foto: reprodução

Por Leonardo Sakamoto, no UOL

Em mais um capítulo do Game of Thrones do clã Bolsonaro, a deputada federal Carolina de Toni anunciou a saída do PL para concorrer ao Senado Federal por outro partido, após ter sua candidatura negada pela direção nacional. Pelo acordo feito entre Jair e Valdemar da Costa Neto, quem define os nomes para a Câmara Alta do Parlamento é o residente da Papudinha. E, neste caso, ele decidiu por seu próprio filho, Carlos Bolsonaro.

Sim, na meritocracia bolsonarista, quem tem pai, tem tudo.

O ex-vereador fez carreira política no Rio de Janeiro. Por mais que tenha praticado tiros e mantido negócios em Santa Catarina, ainda assim é um alien à realidade local. Não preciso concordar com o que ambos pensam para apontar quem tem vivência política no Estado, ele ou Carolina de Toni.

A saída dela do PL abriu espaço para que Espiridião Amin (PP) tente a reeleição ao Senado pela chapa do governador Jorginho Mello (PL), garantindo que os partidos que o apoiam não pulem para o barco do prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD). E que o PP anuncie apoio ao PL no Rio Grande do Sul na disputa ao governo.

A diretora do PL Mulher, Michelle Bolsonaro, postou uma foto em que aparece com a deputada e outra em que Jair está ao lado dela, nesta quarta (4), após Valdemar confirmar o veto. Na publicação, a ex-primeira-dama deu a entender que ela e Jair a apoiam: “estamos com você”.

A bolsonarista escanteada do PL Carol de Toni. Foto: reprodução

Michelle trava um Game of Thrones com os filhos do ex-presidente pelo controle e o legado do bolsonarismo. Após conseguir estremecer o acordo entre o PL e Ciro Gomes no Ceará, sofreu uma gigantesca derrota quando o marido ungiu seu primogênito, Flávio, como pré-candidato ao Palácio do Planalto. Ela sonhava com a possibilidade de seu nome como cabeça de chapa ou como vice de Tarcísio de Freitas. Ainda sonha.

Considerando que Santa Catarina é o estado em que a extrema direita tem mais força, Carluxo deve ser eleito pela força do sobrenome, tal como foi o filho 04, Jair Renan, o genial vereador de Balneário Camboriú. E tenho pouca dúvida de que a deputada, líder nas pesquisas, também será, independentemente do partido que escolher.

Ou seja, mesmo com todo esse balé político (que não duvidaria que tenha sido ensaiado com os envolvidos apenas para garantir os acordos partidários), é bem possível que o senador e ex-governador Amin não seja reconduzido, afinal, são apenas duas vagas por estado.

Mais do que isso: essa divisão interna pode favorecer um candidato à esquerda, como Décio Lima (PT) — que foi para o segundo turno na eleição ao governo do estado, em 2022, ajudado pelo racha da direita. E, se isso acontecer, o crédito disso não será de Carolina de Toni, mas da filhocracia do clã Bolsonaro.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.