VÍDEO: Starmer se desculpa por nomeação de Mandelson e diz lamentar vítimas de Epstein

Atualizado em 5 de fevereiro de 2026 às 12:02
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, durante discurso no sul da Inglaterra nesta quinta-feira (5). Foto: Reprodução

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, pediu desculpas por ter nomeado Peter Mandelson como enviado britânico aos Estados Unidos e afirmou sentir muito pelas vítimas de Jeffrey Epstein. A declaração ocorreu nesta quinta-feira (5), em meio à forte pressão política após a revelação de documentos que detalham a proximidade entre Mandelson e o criminoso sexual americano.

Durante discurso no sul da Inglaterra, Starmer afirmou que se arrepende de ter confiado em Mandelson antes da nomeação feita em dezembro de 2024.

“Quero dizer isto (às vítimas de Epstein): sinto muito. Sinto muito pelo que lhes foi feito, sinto muito que tantas pessoas em posição de poder tenham falhado com vocês, sinto muito por ter acreditado nas mentiras de Mandelson e por tê-lo nomeado”, disse.

Starmer enfrenta críticas intensas não apenas da oposição, mas também de parlamentares do próprio Partido Trabalhista. A nomeação de Mandelson ocorreu quando já eram conhecidos seus vínculos com Epstein, relação que voltou ao centro do debate após a divulgação de novos documentos pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Os arquivos, tornados públicos na semana passada, incluem e-mails que evidenciam a proximidade entre Mandelson e Epstein. Os documentos também sugerem que Mandelson teria vazado informações governamentais ao criminoso sexual e que, em contrapartida, Epstein teria feito pagamentos a ele e a seu parceiro, hoje marido.

“Já era de conhecimento público há algum tempo que Mandelson conhecia Epstein, mas nenhum de nós tinha noção da profundidade e da obscuridade dessa relação”, afirmou Starmer.

Renúncia e investigação

Ex-ministro em governos trabalhistas de mais de 15 anos atrás, Mandelson renunciou na terça-feira ao seu cargo na Câmara dos Lordes após a repercussão das revelações. Ele agora é alvo de uma investigação policial por suspeita de má conduta no exercício do cargo.

Mandelson declarou não se lembrar de ter recebido pagamentos e não comentou publicamente as acusações de vazamento de documentos oficiais.

O nome de Mandelson e de seu marido, o brasileiro Reinaldo Avila da Silva, aparece entre milhões de documentos recentemente divulgados nos Estados Unidos. Trata-se do maior conjunto de arquivos liberados desde a entrada em vigor de uma lei americana que determinou a abertura desse material no ano passado.

Aliados e adversários de Starmer afirmam que o episódio levanta questionamentos sobre o discernimento do primeiro-ministro. Pesquisas indicam que ele já enfrenta altos índices de impopularidade, e membros do próprio Partido Trabalhista avaliam que sua posição política pode estar ameaçada.

Starmer afirmou que pretende tornar públicas as recomendações recebidas no processo de escolha de Mandelson para o posto em Washington, mas disse que acatou um pedido da polícia para evitar qualquer medida que possa interferir nas investigações em curso.

Epstein e Mandelson. Foto: Departamento de Justiça dos EUA