
O presidente Lula afirmou que viajará a Washington na primeira semana de março para se reunir com seu homólogo americano, Donald Trump. Em entrevista ao UOL, ele disse que o encontro servirá para uma conversa direta, “olho no olho”, sobre temas de interesse comum entre os dois países.
Segundo o presidente brasileiro, a relação bilateral não pode se dar por meio de redes sociais. “Nós somos presidentes das duas maiores democracias do Ocidente. Não pode ficar conversando por Twitter, nós temos que sentar em uma mesa”, afirmou.
Ele disse que está disposto a discutir parcerias industriais, exploração de minérios e terras raras, desde que a soberania nacional seja preservada. “A única coisa que eu não discuto é soberania do meu país. Essa é sagrada”, declarou.
Lula também comentou temas da agenda internacional. Ele afirmou que o Brasil só participará de um eventual Conselho da Paz se houver representantes palestinos. Segundo o presidente, ele próprio disse a Trump que considera “estranho” um grupo sem a presença de palestinos. “Quem vai reconstruir as casas, os hospitais, as padarias, que foram detonados?”, questionou.
Ao falar sobre a Venezuela, Lula afirmou que a principal preocupação é o fortalecimento da democracia e a melhoria das condições de vida da população. Ele disse que o que está “em jogo” é a situação dos venezuelanos, e defendeu que conflitos e divergências sejam resolvidos por meio do diálogo entre os países.
O presidente reforçou que não há temas proibidos na conversa com Trump, além da soberania. “Não tem tema proibido para discutir”, disse. Para ele, o encontro presencial é essencial para tratar dos interesses de cada país e buscar soluções conjuntas. “Vamos trabalhar juntos”, afirmou.
A relação entre Brasil e Estados Unidos passou por tensões no último ano, sobretudo após a imposição de tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Apesar disso, Lula e Trump mantiveram conversas telefônicas e trocaram elogios públicos. No fim de novembro, os EUA anunciaram a retirada de 40% da tarifa adicional sobre determinados produtos agrícolas brasileiros, como café, carne bovina, frutas e petróleo.