
O Banco de Brasília (BRB) precisa entregar ao Banco Central, até esta sexta-feira (6), um plano detalhando como pretende reforçar o próprio balanço patrimonial em pelo menos R$ 5 bilhões. O valor exato deverá constar no documento, que ainda não foi divulgado.
A proposta tem como objetivo melhorar o perfil dos ativos do banco, reduzindo o risco associado ao seu patrimônio. Caso seja aprovada pelo Banco Central, a execução das medidas deverá ocorrer em até seis meses.
Medidas que impliquem impacto direto no caixa do Governo do Distrito Federal, acionista majoritário do BRB, exigem aval político da Câmara Legislativa do DF. O governador Ibaneis Rocha (MDB) tem ampla maioria no Legislativo local, o que tende a facilitar esse tipo de autorização.
O objetivo do plano é assegurar a solidez da instituição e evitar desconfianças no mercado financeiro. Em outras palavras, busca-se impedir abalos à credibilidade do BRB.
Compra de carteiras do Banco Master
A necessidade de reforço de capital surgiu após o BRB gastar bilhões, desde o fim de 2024, na compra de carteiras de crédito do Banco Master. Meses depois, veio a público que essas mesmas carteiras haviam sido adquiridas pelo Master de outra instituição por menos da metade do valor.
Além disso, o Master não chegou a pagar pelos créditos que comprou, mas recebeu os valores à vista ao revendê-los ao BRB. Todas essas “inconsistências” contribuíram para fragilizar o balanço patrimonial do banco público.
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Técnicos ouvidos pelo G1 e pela TV Globo afirmam que não há risco de falência ou de liquidação do BRB. Isso ocorre porque o acionista controlador é o governo do Distrito Federal, que dispõe de patrimônio suficiente para “socorrer” a instituição, se necessário.
Ainda assim, o reforço de capital é considerado fundamental para que o banco continue atendendo às exigências mínimas de solidez e segurança previstas na legislação que rege o sistema bancário brasileiro.
Alternativas para reforçar o capital
No fim de janeiro, o BRB divulgou um comunicado listando alternativas avaliadas para fortalecer seu patrimônio. Entre as opções consideradas viáveis estão a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) com imóveis do governo do Distrito Federal, a contratação de empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e um aporte direto dos controladores.
O governo do DF detém 71,92% do capital do BRB. Dessa forma, um eventual “aporte direto” dependeria diretamente de recursos do próprio governo distrital. Ibaneis Rocha já declarou, em entrevistas, estar disposto a colocar patrimônio público do DF nessas operações, inclusive por meio da constituição de um fundo imobiliário.
Tentativa frustrada de compra do Master
Ao longo de 2025, o BRB tentou adquirir uma parte relevante do Banco Master. A operação teve apoio público do governador e do governo do DF, mas acabou sendo barrada pelo Banco Central.
O Master foi liquidado em novembro pelo BC após a identificação de uma profunda crise de liquidez, caracterizada pela incapacidade de honrar compromissos com clientes e investidores.
Entre 2024 e 2025, o BRB injetou R$ 16,7 bilhões no Banco Master. O Ministério Público vê indícios de gestão fraudulenta nessas transferências e apura se cerca de R$ 12 bilhões foram destinados a carteiras de crédito consideradas podres, que não pertenciam ao Master e não contavam com garantias financeiras.