
Uma fonte que respeito, porque atuou por muitos anos como operador do Direito em Santa Catarina, me envia esta previsão sombria.
O caso do cão Orelha pode até avançar na polícia, com um inquérito bem amarrado. E pode haver uma denúncia forte e consistente do Ministério Público.
Mas não se surpreendam se o caso empacar ou for embaralhado na Justiça de primeira instância e depois cair numa gaveta escura da Justiça de segunda instância, como costuma acontecer com processos envolvendo poderosos em Santa Catarina.
Perguntei se isso seria possível, mesmo com a repercussão que o caso teve em todo o país, e ouvi o seguinte: eles exercem o poder contra as pessoas, imagine se não exercerão contra um cachorro.
Como já aconteceu em outras circunstâncias, é possível até que juízes de segunda instância que julgarão o caso venham a participar ou já tenham participado de banquete com parentes dos réus do caso. Tudo é possível.
Mas sempre há um no entanto. E, neste caso, o no entanto é o seguinte: os envolvidos na tortura e morte de Orelha podem ir para o sacrifício, para que outros casos continuem sendo tratados como sempre foram.
Assim funciona o mundo cão do poder em Santa Catarina.
GAVETA
E aqui mais um exemplo de que os poderosos têm a proteção dos seus onde quer que estejam. Dos 21 ministros do STJ que votaram sobre a sindicância interna para apurar se o ministro Marco Buzzi assediou uma jovem de 18 anos na praia de Balneário Camboriú, oito votaram contra a abertura do inquérito.
E um deles foi o próprio Buzzi. Mais de um terço do plenário do STJ tentou impedir a sindicância.