
O Brasil decidiu não aderir à aliança dos Estados Unidos sobre minerais críticos proposta pelo presidente norte-americano Donald Trump. A estratégia do governo é priorizar acordos bilaterais com diferentes países, com a exigência de que o processamento dos minerais seja feito em território brasileiro, e não apenas a exportação da matéria-prima. Com informações da CNN Brasil.
O governo brasileiro acompanha a iniciativa dos Estados Unidos como um movimento para organizar o comércio global de minerais críticos e terras raras a partir de interesses norte-americanos. Na quarta-feira (4), Trump convidou vários países a integrar um bloco comercial voltado a parcerias nesse setor.
Apesar de ter sido convidado, o Brasil enviou um diplomata de escalão inferior ao encontro, sinalizando que não pretende participar da proposta da Casa Branca. A presença teve como objetivo acompanhar as discussões e os posicionamentos apresentados durante o evento.
Enquanto Washington busca centralizar esse comércio em meio ao domínio da China no mercado, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva adota outra linha. A intenção é negociar com diversos países, mantendo como شرط que parte relevante da cadeia produtiva ocorra no Brasil. O tema deve ser tratado nas próximas reuniões bilaterais do presidente, incluindo a viagem à Índia no fim do mês.

Com os indianos, o governo discute um acordo específico sobre minerais críticos. As conversas ainda estão em fase preliminar e devem avançar antes da chegada da comitiva brasileira a Nova Délhi. Na Índia, Lula também deve participar de uma cúpula sobre inteligência artificial. Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e Índia superou R$ 15 bilhões.
De acordo com a Broadcast, o governo brasileiro avalia que a decisão de não aderir à aliança não deve afetar a relação entre Lula e Trump, fortalecida nos últimos meses. Está prevista uma visita do presidente brasileiro a Washington no próximo mês, com pauta voltada à cooperação em segurança pública, à revisão de sanções e tarifas de até 50% impostas a produtos brasileiros e, também, à discussão sobre minerais críticos.
O Brasil detém a segunda maior reserva desses minerais no mundo e pretende consolidar-se como polo de processamento, agregando valor à produção.