
No dia da abertura oficial dos Jogos Olímpicos de Inverno, centenas de pessoas foram às ruas de Milão, na Itália, na última sexta-feira (6) para protestar contra a presença de agentes do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, com citações de apoio à Palestina, vítima de um massacre comandado pelo estado sionista de Israel.
A manifestação reuniu sobretudo estudantes e ativistas contrários às políticas migratórias do governo estadunidense e ganhou força após relatos de que policiais federais estariam na cidade para atuar na proteção de cidadãos de seu país durante o evento esportivo.
Com cartazes e faixas, os manifestantes exibiram mensagens como “Fora ICE” e críticas diretas às operações da agência migratória em cidades como Minneapolis, no estado de Minnesota. O protesto também incorporou pedidos para que o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e o secretário de Estado, Marco Rubio, deixassem o território italiano durante a Olimpíada.
HAPPENING NOW IN MILAN
Hundreds of people have gathered at Piazza XXV Aprile in Milan for an anti-ICE protest.
This comes after it was announced an ICE unit will deploy to Italy for the Winter Olympics. Milan Mayor Giuseppe Sala said that ICE would not be welcome in his city. pic.twitter.com/qHmMBlehqr
— Devin Heroux (@Devin_Heroux) January 31, 2026
“Achei que esta era uma boa oportunidade para mostrar que o resto do mundo não está O.K. com o que está acontecendo em Minnesota”, disse Katie Legare, estudante nascida naquele estado e que hoje vive na Europa. Ela se referia à morte de Renee Good e Alex Pretti durante operações conduzidas por agentes do ICE, casos que ampliaram a repercussão internacional sobre a atuação da polícia migratória.
“Lembre-se deles”, dizia um cartaz com as imagens de Alex Jeffrey Pretti e Renee Nicole Good, estadunidenses assassinados pelo ICE, além de uma foto de Liam Conejo Ramos, menino equatoriano de 5 anos usado como “isca” para a captura de mais imigrantes. Bandeiras da Palestina e de movimentos LGBTQIA+ também apareceram nas ruas de Milão.
For Renée, for Alex, for all of us. We don’t want ICE in Milan, and we won’t remain indifferent. #ICEOUTNOW pic.twitter.com/LEIpCSVELD
— 𝕃𝕦𝕔𝕚𝕒𝕟𝕠 𝕃𝕦𝕝𝕫 (@altrella_l) January 31, 2026
O protesto extrapolou as ruas e chegou às redes sociais. O esquiador britânico Gus Kenworthy, que participa da Olimpíada de Inverno, publicou uma imagem na qual aparece a frase “F*ck ICE” escrita na neve. O atleta afirmou se tratar de um posicionamento pessoal.
Tanto o Comitê Olímpico Britânico quanto o Comitê Olímpico Internacional (COI) indicaram que não haveria punição, já que a manifestação ocorreu fora das instalações oficiais dos Jogos.
Alle manifestazioni contro la presenza dell’Ice a Milano Cortina si è aggiunta un’altra protesta. Questa volta a scendere in piazza sono stati soprattutto gli studenti, che hanno occupato il parco davanti al rettorato del Politecnico di Milano https://t.co/thI26XHCr4 pic.twitter.com/XzZmn34EQc
— L’Espresso (@espressonline) February 6, 2026
Diante da repercussão, o governo italiano tentou reduzir a tensão. Autoridades afirmaram que não há agentes do ICE atuando nas ruas de Milão durante a Olimpíada. Segundo o comunicado, apenas funcionários da Investigação de Segurança Interna participam de missões diplomáticas vinculadas às representações dos Estados Unidos.
O Comitê Olímpico e Paralímpico dos EUA também declarou que nenhum policial de imigração integra o esquema de segurança da delegação.
Com a cerimônia de abertura marcada para as 20h no horário local, o poder público determinou o fechamento de escolas na região central e restringiu o acesso a algumas áreas para reforçar a segurança e minimizar impactos no trânsito. No período da tarde, um novo protesto ocorreu nas proximidades do estádio San Siro, onde acontece a abertura oficial.