
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado (7) que o orçamento secreto representou um “sequestro” do orçamento do Executivo. A declaração foi feita durante ato em comemoração aos 46 anos do Partido dos Trabalhadores, realizado em Salvador (BA). Segundo Lula, não é normal que o Congresso Nacional aprove quase R$ 60 bilhões em emendas parlamentares em um único ano.
Em sua fala, o presidente afirmou que o volume de recursos destinados às emendas compromete a capacidade de execução do governo federal. Lula também classificou como “grave” o fato de o PT ter votado favoravelmente ao mecanismo. “A verdade é que o orçamento secreto foi o sequestro do orçamento do Executivo para que deputados e senadores tivessem liberdade de usar o dinheiro”, disse o presidente durante o evento.
O ato reuniu diversas lideranças políticas, entre elas o vice-presidente Geraldo Alckmin, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues. Durante o discurso, Lula defendeu a ampliação da base aliada e citou partidos como PSB, PCdoB, PDT e outras siglas que possam integrar o palanque governista.
O presidente reconheceu que o PT enfrenta dificuldades eleitorais em alguns estados e afirmou que alianças são necessárias para disputar eleições. Lula disse que acordos políticos não significam abandono de princípios partidários e que a composição com outras legendas é um instrumento para garantir governabilidade.
🚨URGENTE – Lula critica o orçamento secreto e diz que a política está muito mercantilizada
“O deputado não pode confundir o mandato dele com emprego, com profissão. Deputado não é profissão.” pic.twitter.com/oBEoErZ252
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) February 7, 2026
Em outro trecho, Lula criticou a classe política brasileira, afirmando que a atividade está “mercantilizada”. O presidente citou custos de campanhas e declarou sentir falta do período em que realizava comícios de rua. Ele também disse que o partido precisa corrigir erros internos e evitar que a legenda siga o mesmo caminho de outras siglas.
No campo econômico, Lula voltou a mencionar a possibilidade de ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda. O presidente afirmou que não considera salário como renda tributável e disse que o limite atual de isenção ainda não atende ao que considera ideal.
Lula também abordou temas internacionais. Ele criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu que a Venezuela decida seu futuro de forma soberana e declarou solidariedade a Cuba. Além disso, elogiou a parceria do Brasil com a China, classificando a relação como “exitosa e respeitosa”, e afirmou que há pressão internacional para restringir o comércio de terras raras e minerais críticos com o país asiático.
No encerramento do evento, Edinho Silva afirmou que a prioridade do PT é a reeleição de Lula. O dirigente também defendeu alianças para fortalecer palanques estaduais e ampliar a presença do partido na disputa ao Senado, com candidatos alinhados ao campo político do governo federal.