Na Olimpíada de Inverno, maior esquiadora dos EUA critica Trump e cita Mandela

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 9:18
Mikaela Shiffrin, maior esquiadora dos EUA. Foto: Reuters

Mikaela Shiffrin, a esquiadora alpina mais vitoriosa da história, afirmou sentir gratidão por disputar sua quarta Olimpíada de Inverno. Em conversa com a imprensa no sábado, 7 de fevereiro, ela descreveu como uma honra e um privilégio competir com as cores dos Estados Unidos.

Ao mesmo tempo, Shiffrin fez questão de deixar claro que, nos Jogos, representa seus próprios valores pessoais, e não as posições do governo do presidente Donald Trump. A atleta disse que já esperava perguntas sobre um possível conflito em competir pelos EUA diante das críticas internacionais às operações de imigração apoiadas pela Casa Branca.

Durante a cerimônia de abertura em Milão, na noite anterior, a atriz Charlize Theron leu uma citação de Nelson Mandela, que Shiffrin afirmou ter anotado integralmente. O trecho fala de paz como a criação de um ambiente no qual todas as pessoas possam prosperar, independentemente de raça, cor, crença, religião, gênero, classe ou outros marcadores sociais.

A esquiadora explicou que, para ela, esse pensamento se conecta diretamente ao espírito olímpico. Disse esperar demonstrar valores como diversidade, gentileza, cooperação, esforço constante e compromisso diário com sua equipe. Segundo Shiffrin, sua maior expectativa para os Jogos é que eles sejam uma demonstração bonita de cooperação e competição.

Atletas da equipe dos EUA têm consciência de que, neste momento, são a imagem do país em um cenário internacional marcado por críticas às decisões políticas do governo Trump. Shiffrin reconheceu que existe sofrimento, dor e violência em várias partes do mundo, o que torna difícil conciliar esse panorama com a disputa por medalhas.

Ela mencionou, em especial, os Estados Unidos, onde ações do ICE determinadas pelo governo federal resultaram na morte de dois civis em Minnesota, Alex Pretti e Renee Good. Reportagem do jornal The Guardian, publicada em 28 de janeiro, informou que oito pessoas morreram em 2026 em ações do ICE ou enquanto estavam sob custódia da agência. O prefeito de Milão, Beppe Sala, já havia condenado o órgão, chamando-o de “uma milícia que mata”.

Na cerimônia de abertura em Milão, os atletas americanos receberam aplausos intensos do público presente, estimado em 80 mil pessoas. No entanto, quando as câmeras mostraram o vice-presidente J.D. Vance, os aplausos deram lugar a vaias. A reação ocorreu mesmo após a presidente do Comitê Olímpico Internacional, Kirsty Coventry, pedir que os torcedores mantivessem uma postura respeitosa em relação à delegação dos Estados Unidos.