
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a avaliar que a Casa Branca deve adotar uma postura mais discretaem relação às eleições brasileiras de 2026. Diplomatas ouvidos pelo Planalto afirmam que, diante da atual estabilidade na relação bilateral, a tendência é de ausência de tentativas explícitas de interferência ou apoio aberto a candidatos do campo da direita. Com informações do G1.
Esse novo diagnóstico está diretamente ligado à relação pessoal construída entre Lula e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Auxiliares do governo brasileiro relatam que Trump tem adotado um tom cordial nas interações recentes, o que funciona como fator de contenção diante de pressões internas e externas para que Washington atue de forma mais ativa no cenário político brasileiro.
Apesar do otimismo, integrantes do entorno presidencial reconhecem que Trump é conhecido por sua imprevisibilidade. Por isso, a orientação no Itamaraty e no Palácio do Planalto é manter cautela e atuação estratégica contínua para preservar a proximidade com a Casa Branca. Uma fonte do governo afirmou que “a tendência até a eleição é de uma postura mais recatada do lado do Executivo americano”.
A avaliação atual contrasta com o clima observado em 2025, quando medidas como o tarifaço imposto ao Brasil foram interpretadas como tentativas de pressionar o país em um contexto pré-eleitoral. À época, havia desconfiança de que ações americanas poderiam favorecer a direita, seja para reabilitar Jair Bolsonaro, seja para desgastar politicamente o governo Lula.

Mesmo após o recuo de Washington em temas sensíveis, como as tarifas e a não aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, persistia no governo brasileiro o temor de ingerência futura. Esse cenário começou a mudar depois de contatos diretos entre Lula e Trump, incluindo conversas telefônicas e encontros presenciais em agendas internacionais.
Até o pleito, a diplomacia brasileira pretende reforçar a cooperação com os Estados Unidos, especialmente na área de combate ao crime organizado. O Planalto avalia que segurança pública será um dos principais temas eleitorais e que esse diálogo pode ajudar a neutralizar investidas da oposição, sobretudo do grupo ligado ao senador Flávio Bolsonaro, apontado como provável candidato da direita.