
O início de 2026 marcou uma mudança relevante no apetite dos investidores globais, com os países emergentes voltando ao centro das estratégias de alocação. O Brasil aparece entre os principais beneficiados desse movimento, impulsionado por um cenário internacional mais favorável ao risco e por incertezas crescentes nos Estados Unidos sob a gestão de Donald Trump. As informações são do Estadão.
A combinação entre expectativa de queda de juros globais, crescimento econômico acima do previsto e maior volatilidade política nos EUA levou investidores a diversificarem suas carteiras. Nesse contexto, ativos de mercados emergentes passaram a atrair mais recursos, mesmo com riscos estruturais conhecidos, como fragilidades fiscais e dívida elevada.
No Brasil, o impacto foi imediato no mercado financeiro. Em janeiro, a Bolsa brasileira registrou entrada líquida de R$ 26,3 bilhões de capital estrangeiro, superando todo o fluxo observado em 2025. Em dólares, o Ibovespa acumulou alta de 18,42% no mês, figurando entre os melhores desempenhos globais, atrás apenas de Peru e Colômbia.

A valorização dos ativos também se refletiu no câmbio. Com o aumento do fluxo externo, o real se fortaleceu e o dólar passou a ser negociado em torno de R$ 5,20, abaixo do patamar observado no fim de 2025. Analistas destacam que não se trata de uma fuga dos EUA, mas de uma redistribuição marginal de recursos em busca de retornos mais altos.
Apesar do alívio no curto prazo, especialistas alertam que os fundamentos brasileiros seguem no radar. A situação fiscal permanece frágil, e o avanço da dívida pública mantém o país vulnerável a choques externos, sobretudo em um ano pré-eleitoral, quando a incerteza política tende a aumentar.
O cenário para os próximos meses dependerá tanto do ambiente internacional quanto das sinalizações internas. Mudanças na política econômica americana, tensões eleitorais nos EUA e no Brasil e a falta de uma agenda clara de ajuste fiscal podem interromper o atual ciclo positivo. Para investidores, o Brasil voltou ao mapa, mas ainda exige cautela.