Discurso de valores de Túlio Maravilha esbarra em condenação por fraude eleitoral

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 13:43
O ex-jogador de futebol Túlio Maravilha. Foto: Divulgação

O ex-jogador de futebol Túlio Maravilha foi condenado pela Justiça Eleitoral de Goiás por fraude em doações de campanha referentes à eleição de 2010. A decisão, proferida há sete anos, também atingiu o então tesoureiro de sua campanha a deputado estadual. Ambos foram considerados responsáveis pela emissão de quatro notas de doações que, segundo a sentença, nunca ocorreram de fato.

De acordo com a decisão assinada pelo juiz Antônio Cézar Meneses em 12 de setembro, as irregularidades envolveram recibos eleitorais apresentados como doações legais, mas que não teriam sido realizadas. Duas testemunhas que atuaram na campanha relataram à Justiça que “foram convencidos a assinar recibos eleitorais, sem fazer as doações indicadas”, conforme registrado na sentença.

Túlio Maravilha foi condenado a 2 anos e 9 meses de prisão. A pena, no entanto, foi substituída pelo mesmo período de prestação de serviços à comunidade. Além disso, o ex-atacante recebeu a penalidade de limitação de fim de semana pelo mesmo prazo, o que implica o cumprimento de cinco horas aos sábados e domingos em unidade prisional.

A sentença também determinou o pagamento de multa equivalente a 120 dias de salário mínimo vigente em 2010 ao governo de Goiás. Já o então tesoureiro da campanha foi condenado a 2 anos e 3 meses de prisão, igualmente convertidos em prestação de serviços à comunidade, além de limitação de fim de semana e multa correspondente a 36 dias de salário mínimo da época.

Christiane Maravilha, Tulliane e o ex-jogador Túlio Maravilha. Foto: Reprodução

O caso voltou a circular nas redes sociais após Túlio Maravilha publicar um vídeo no qual afirma ter decidido impedir a filha, Tulliane, de cursar universidades públicas, mesmo após aprovação em instituições como a Universidade Federal do Rio de Janeiro e a Universidade do Estado do Rio de Janeiro.  No vídeo, o ex-jogador aparece ao lado da esposa, Christiane Maravilha, e da filha.

Segundo o casal, a decisão foi tomada com base em critérios familiares e alinhamento de valores. Christiane afirmou: “Um dos fatos maiores que a gente não permite nossos filhos irem para a federal é a gente manter os nossos valores familiares”. Em seguida, acrescentou que “a universidade particular alinha mais aos nossos pensamentos e aos nossos princípios”.

Túlio também mencionou questões de deslocamento e segurança. “A logística não é muito legal, fica a quase uma hora, dependendo do trânsito quase duas horas, tem que passar na Linha Amarela, Linha Vermelha, uma zona de perigo, muitos conflitos”, disse. O ex-jogador ainda criticou a situação das universidades federais no Rio de Janeiro, afirmando que “a federal aqui no Rio tá bem precária, teve greve, vários meses parado”.

A filha, por sua vez, afirmou que abriu mão da vaga por decisão própria. “Eu passei, mas vou deixar minha vaga para quem realmente precisa, não tem condições de pagar uma faculdade particular”, declarou.

Após a repercussão do vídeo, internautas passaram a resgatar episódios antigos envolvendo a vida pessoal do ex-atleta, incluindo declarações do senador Jorge Kajuru, que desde 2013 afirma ser pai biológico de Marcella Costa, uma das filhas de Túlio Maravilha. Kajuru reiterou em 2021 que estaria disposto a realizar exame de DNA, o que, segundo ele, nunca ocorreu.

Atropelado pelo Google

O resgate desse episódio judicial ajuda a contextualizar a atual polêmica e remete a uma observação feita por Dilma Rousseff pouco antes de ser derrubada da Presidência, quando afirmou que muitos de seus algozes não resistiriam a uma simples pesquisa no Google. No caso de Túlio Maravilha, fatos documentados pela Justiça Eleitoral e decisões com trânsito em julgado reaparecem no debate público justamente no momento em que o ex-jogador tenta se colocar como referência moral ao comentar escolhas pessoais e educacionais, evidenciando como registros oficiais e históricos continuam disponíveis e acabam tensionando discursos baseados em valores e autoridade pública.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.