Caso Epstein derruba chefe de gabinete de Keir Starmer no Reino Unido; entenda

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 19:51
O chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, Morgan McSweeney. Foto: Diivulgação

O chefe de gabinete do primeiro-ministro britânico Keir Starmer, Morgan McSweeney, renunciou ao cargo neste domingo (8) em meio à escalada da crise política provocada pela nomeação de Peter Mandelson como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos.

A saída ocorre após dias de pressão interna sobre o governo trabalhista e questionamentos públicos sobre o processo de escolha do diplomata. Em comunicado, ele afirmou que foi o responsável direto por aconselhar Starmer a indicar Mandelson, de 72 anos, para o posto diplomático em 2024.

O ex-chefe de gabinete reconheceu que a decisão foi equivocada e associou o erro ao desgaste político enfrentado pelo governo desde que vieram a público documentos ligados aos arquivos do bilionário americano Jeffrey Epstein.

“A decisão de nomear Peter Mandelson foi errada. Ele prejudicou nosso partido, nosso país e a própria confiança na política”, declarou McSweeney. Em outro trecho, afirmou: “Quando questionado, aconselhei o primeiro-ministro a fazer essa nomeação e assumo total responsabilidade por esse conselho”.

A crise é considerada a mais grave enfrentada pelo primeiro-ministro desde que assumiu o cargo, há cerca de 18 meses. Documentos associados aos arquivos de Epstein indicariam que ele teria enviado informações confidenciais de mercado ao criminoso sexual condenado quando ocupava o cargo de secretário de Negócios em governos anteriores.

McSweeney, que era próximo de Mandelson e apontado como seu protegido político, passou a ser alvo de críticas de parlamentares do Partido Trabalhista e de adversários do governo. As acusações se concentram na suposta falha em garantir a realização de verificações de antecedentes adequadas antes da nomeação para a embaixada em Washington.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, e o ex-embaixador britânico em Washington, Peter Mandelson. Foto: Divulgação

Diante da pressão, o governo britânico anunciou que pretende divulgar e-mails e outros documentos relacionados ao processo de indicação. Segundo o gabinete de Starmer, o material demonstraria que Mandelson teria enganado autoridades durante as tratativas que antecederam a nomeação.

Até a renúncia, Starmer havia optado por defender publicamente McSweeney, estratégia que também passou a ser questionada dentro do partido. Após a saída do chefe de gabinete, o premiê divulgou um comunicado no qual afirmou que foi “uma honra” trabalhar com ele.

A demissão reacende incertezas sobre a estabilidade do governo trabalhista, menos de dois anos depois de o partido conquistar uma das maiores maiorias parlamentares da história recente do Reino Unido. Aliados avaliam que o episódio pode comprometer a agenda política do Executivo no curto prazo.

Na sexta-feira (6), a polícia britânica realizou buscas em dois endereços ligados a Peter Mandelson, um em Wiltshire, no sul da Inglaterra, e outro em Camden, em Londres. De acordo com a rede BBC, os mandados estariam relacionados a uma investigação por suspeita de má conduta em cargo público.

Mandelson renunciou na última terça-feira (3) à Câmara dos Lordes, a câmara alta do Parlamento britânico, após novas revelações sobre seus vínculos com Epstein. Antes disso, já havia se desligado do Partido Trabalhista. O governo informou que preparava uma legislação para expulsá-lo da Câmara e retirar seu título de nobreza, Lord Mandelson, além de ter encaminhado um dossiê à polícia sobre o suposto repasse de informações sensíveis ao criminoso sexual.