
O Museu Memorial de Auschwitz-Birkenau anunciou que deixará de vender ingressos presenciais e passará a exigir agendamento online antecipado para visitas a partir do próximo mês. A medida, segundo a instituição, busca conter práticas enganosas de empresas de turismo que levavam grupos ao local sem reservas confirmadas, provocando filas, conflitos e cancelamentos de última hora.
O objetivo declarado é organizar melhor o fluxo de visitantes e proteger um espaço de memória histórica sensível.
A decisão ocorre em um contexto mais amplo: a Polônia já gastou mais recursos na preservação dos antigos campos de extermínio e concentração nazistas em seu território do que a Alemanha jamais destinou diretamente às vítimas polonesas da ocupação durante a Segunda Guerra Mundial.
Após 1945, coube ao Estado polonês a responsabilidade quase integral de conservar esses locais, transformados em provas materiais dos crimes do Terceiro Reich, em advertência permanente às gerações futuras e em fonte de receita para a Polônia.
Nos oito maiores campos instalados pela Alemanha nazista na Polônia ocupada — Auschwitz-Birkenau, Treblinka, Bełżec, Kulhof (Chełmno), Sobibór, Majdanek, Stutthof e Gross-Rosen — cerca de 3,2 milhões de pessoas foram assassinadas, a maioria judeus europeus.
Os poloneses étnicos formaram o segundo maior grupo de vítimas. Esses nomes se tornaram símbolos universais de uma violência sem precedentes na história humana e marcaram definitivamente o território polonês.
Mesmo assim, ao longo das décadas do pós-guerra, a Alemanha transferiu para a Polônia o ônus financeiro e institucional da preservação desses espaços. Com exceções pontuais e contribuições limitadas, Berlim se afastou da responsabilidade direta pela manutenção dos locais onde seus próprios crimes foram cometidos. O resultado é que a memória do Holocausto, em solo polonês, tem sido sustentada majoritariamente com recursos públicos da Polônia.
Em 2025, o Museu de Auschwitz recebeu 1,95 milhão de visitantes, mais de 75% estrangeiros. Embora a entrada seja gratuita, cerca de 90% do público opta por visitas guiadas pagas, agora restritas exclusivamente ao sistema online oficial. Aproximadamente 23% do público foi de poloneses, seguidos por britânicos, italianos, espanhóis e alemães. O crescimento do turismo no país tem ampliado a pressão por medidas de controle para proteger locais históricos sensíveis.
Criado pela Alemanha nazista em 1940, em território polonês ocupado, Auschwitz tornou-se o principal centro de extermínio de judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Ao menos 1,3 milhão de pessoas foram deportadas para o complexo, e cerca de 1,1 milhão morreram ali, a maioria em câmaras de gás. O campo foi libertado pelo Exército Vermelho em janeiro de 1945 e transformado em museu estatal dois anos depois.
Poland covers almost all the costs of maintaining former Nazi-German camps on its territory. It has spent more on this than Germany has paid in compensation to Polish war victims
It’s time for Germany to fund preservation of the sites, argues @W_Kononczuk https://t.co/08nf4c2jMz
— Notes from Poland 🇵🇱 (@notesfrompoland) January 25, 2026