Irresponsabilidade oficial e apetite comercial levam Carnaval de bloquinhos de SP ao colapso; VÍDEOS

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 16:16
Polícia militar tenta conter as pessoas no gradil, e mulher sendo socorrida pelos bombeiros. Fotomontagem: Reprodução/X

Um tumulto foi registrado no início da tarde deste domingo (8) na rua da Consolação, região central de São Paulo, durante o desfile simultâneo de dois megablocos de Carnaval. Grades de segurança foram derrubadas após a superlotação da via, que concentrou milhares de foliões.

O episódio ocorreu durante a passagem do Acadêmicos do Baixo Augusta e do bloco comandado pelo DJ Calvin Harris, que estreou no Carnaval de rua da capital. A confusão se formou nas proximidades da área de concentração do bloco do artista internacional.

A decisão da Prefeitura de São Paulo de autorizar dois megablocos no mesmo local passou a ser alvo de críticas direcionadas à gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB). A sobreposição dos eventos comprometeu a segurança e dificultou a dispersão do público, realçando a incapacidade da administração municipal de lidar com eventos dessa natureza.

Foliões ficaram espremidos, houve empurra-empurra e pessoas passaram mal em meio aos tumultos. Moradores da região também foram impactados pela concentração excessiva de pessoas.

A estrutura oferecida para o Carnaval de rua é incompatível com o porte da capital paulista e evidencia o descaso da atual gestão municipal. Os cortes de verba, a redução no número de banheiros químicos e de grades de contenção, somados à orientação para que os blocos buscassem patrocínio por conta própria, criaram um cenário de aglomeração excessiva, dificultaram a atuação dos agentes públicos e comprometeram a contenção e a dispersão dos foliões.

O vereador Toninho Vespoli, líder do PSOL na Câmara Municipal, publicou críticas à condução do evento nas redes sociais.

“Pré-carnaval em São Paulo e, mais uma vez, todo o despreparo da gestão Nunes fica evidente. Um sábado de total desrespeito com foliões e ambulantes que tentavam trabalhar. Ricardo Nunes quer destruir o carnaval de rua em São Paulo!”, escreveu Vespoli.

A Prefeitura e a Polícia Militar informaram que monitoravam a situação e que não houve registro de feridos graves.

O episódio na Consolação expôs um risco que tende a se repetir ao longo do Carnaval deste ano, marcado por um público cada vez maior, patrocinadores pressionando por visibilidade e uma prefeitura incapaz de planejar o básico. A autorização de megablocos simultâneos em vias já saturadas, a falta de grades, banheiros e rotas claras de dispersão criam cenários propícios a empurra-empurra, pessoas passando mal e pânico coletivo, como já ocorreu durante a passagem do Acadêmicos do Baixo Augusta e do bloco do DJ Calvin Harris. Com marcas interessadas em “bombar” seus eventos e a gestão municipal se omitindo na coordenação e no controle, o Carnaval de rua avança sem freios, transformando a celebração em um ambiente de risco previsível para foliões, trabalhadores e moradores.

Veja vídeos