Lula ou Flávio? Centrão adia decisão sobre apoio nas eleições; saiba para quando

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 22:03
Lula e Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução

Em meio à polarização entre esquerda e direita, partidos do chamado Centrão seguem indecisos e pretendem esperar até o meio do ano para decidir se apoiarão um nome mais competitivo na disputa presidencial de 2026. Políticos de ao menos três legendas de centro ouvidos pelo Metrópoles afirmaram que a definição deve ficar para julho, durante as convenções partidárias.

Enquanto isso, essas siglas tentam viabilizar candidaturas próprias ao menos para marcar posição e resistem às tentativas de aproximação tanto do PL, do pré-candidato Flávio Bolsonaro, quanto do PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pelo calendário eleitoral, as convenções partidárias ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto, período em que partidos e federações poderão deliberar sobre coligações e escolher candidatas e candidatos aos cargos em disputa. As eleições para deputadas e deputados estaduais, federais e distritais, senadoras e senadores, governadores e presidente da República estão previstas para 4 de outubro (1º turno) e 25 de outubro (2º turno). As datas já foram confirmadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A tendência, segundo a apuração, é que alguns partidos — como o MDB — mantenham neutralidade e liberem seus diretórios estaduais. Em 2022, o MDB adotou estratégia parecida: no primeiro turno, apostou em um projeto próprio ao lançar Simone Tebet, então senadora, como candidata ao Planalto.

Uma pesquisa recente realizada pela própria sigla indicou racha interno sobre o tema: o levantamento aponta que Lula (PT) tem o apoio do MDB em 10 estados, mas é rejeitado em 16 e no Distrito Federal.

No Republicanos, a legenda ainda aguarda uma data para reunir a cúpula e discutir como irá se posicionar em 2026. O Progressistas também não definiu oficialmente o rumo, embora o presidente do partido, senador Ciro Nogueira, já tenha defendido publicamente, em algumas ocasiões, o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O União Brasil é outro partido de centro que segue sem orientação clara aos filiados. Até agora, o dirigente principal da sigla, Antonio Rueda, evita tratar do assunto publicamente.

No PSD, o presidente do partido, Gilberto Kassab, sinaliza que a legenda deve seguir um projeto próprio. Ele trabalha as pré-candidaturas do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD-RS); do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD-PR); e do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, para uma eventual chapa.

Gilberto Kassab, presidente do PSD. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Nos bastidores, o PT tenta se aproximar de partidos de centro. Em Brasília, afirma-se que a sigla estuda inclusive oferecer o posto de vice na chapa de Lula ao MDB para assegurar apoio. Ainda assim, o MDB não vê a possibilidade como um bom negócio: o objetivo principal dos dirigentes é ampliar o número de deputados federais, e a avaliação é que “ter um vice decorativo no governo não é tão vantajoso assim”. O entrave também passaria pela montagem dos palanques estaduais, que hoje seguem projetos contrários aos de Lula.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro também busca a adesão do centro desde que anunciou ser pré-candidato ao Planalto, no fim de 2025, após o aval do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo a apuração, porém, o grupo político resiste ao nome do senador.

Flávio tentou garantir apoio do Centrão em um jantar realizado em sua casa no fim do ano passado, mas sem sucesso. Em declarações recentes, ele afirmou que segue em diálogo com lideranças do grupo.

Sofia Carnavalli
Sofia Carnavalli é jornalista formada pela Cásper Líbero e colaboradora do DCM desde 2024.