Documento federal sobre morte de Epstein tem data anterior à descoberta oficial do corpo

Atualizado em 8 de fevereiro de 2026 às 22:53
Equipe médica tentando reanimar Jeffrey Epstein. Imagem: Reprodução / Departamento de Justiça dos EUA

Um comunicado federal que anunciava a morte de Jeffrey Epstein apareceu em arquivos recém-divulgados do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), mas traz uma data que antecede o momento em que ele foi oficialmente encontrado morto em sua cela, em Nova York.

O documento, emitido pelo gabinete do procurador federal do Distrito Sul de Nova York e datado de sexta-feira, 9 de agosto de 2019, afirma que Epstein já havia sido encontrado inconsciente e declarado morto. Registros prisionais e relatos oficiais, porém, indicam que ele só foi descoberto na manhã de 10 de agosto de 2019, quando um agente penitenciário que levava o café da manhã o encontrou em sua cela no Metropolitan Correctional Center (MCC), em Manhattan.

No comunicado, o então procurador federal de Manhattan, Geoffrey S. Berman, declarou que o centro de detenção havia confirmado que Jeffrey Epstein, acusado de tráfico sexual de menores, fora encontrado inconsciente em sua cela e declarado morto pouco depois. Berman disse ainda que os acontecimentos eram perturbadores e que poderiam criar mais um obstáculo para que as vítimas tivessem seu dia na Justiça. O texto reafirmava o compromisso do Ministério Público com as mulheres que já haviam denunciado abusos e com aquelas que ainda não o haviam feito, além da continuidade das investigações relativas às acusações apresentadas na denúncia.

Documento federal sobre morte de Epstein tem data anterior à descoberta oficial do corpo. Imagem: reprodução

Epstein, então com 66 anos, estava detido no presídio de Manhattan desde sua prisão em 6 de julho de 2019, após promotores federais o acusarem de tráfico sexual de menores e conspiração. Ele se declarou inocente e aguardava julgamento quando morreu pouco mais de um mês depois.

De acordo com versões oficiais, Epstein foi encontrado inconsciente em sua cela pouco depois das 6h30 da manhã de 10 de agosto por um agente penitenciário. Equipes médicas tentaram reanimá-lo, mas a morte foi declarada em seguida. Posteriormente, o médico-legista da cidade de Nova York concluiu que a causa foi suicídio por enforcamento.

A morte ocorreu em meio a uma série de falhas em uma das unidades de detenção federais consideradas mais seguras do país. Registros mostram que os agentes responsáveis pela vigilância não realizaram as checagens exigidas durante a madrugada anterior à descoberta do corpo. As rondas previstas para as 3h e 5h não foram feitas. Além disso, câmeras posicionadas do lado de fora da cela não funcionavam adequadamente naquela noite.

Investigadores confirmaram depois que ao menos duas câmeras de vigilância apresentaram defeito, o que criou lacunas relevantes no monitoramento da área. Por causa dessas falhas, não foi possível estabelecer uma linha do tempo precisa dos últimos momentos de Epstein. Até hoje, não há um horário oficial exato para a morte.

Cela de Epstein depois que ele se matou. Imagem: reprodução

Os novos arquivos do DOJ também trazem detalhes analisados após o óbito, incluindo observações de vigilância dentro da unidade. Segundo os registros, investigadores do FBI e do gabinete do inspetor-geral do Departamento de Justiça identificaram imagens que mostrariam uma figura não identificada se deslocando em direção ao andar onde Epstein estava detido. As gravações teriam captado uma forma de cor alaranjada subindo uma escada nas proximidades da ala durante a madrugada. Os investigadores registraram o movimento, mas não concluíram publicamente se havia ligação direta com Epstein ou com sua morte.

As limitações e falhas do sistema de vigilância impediram a reconstrução completa das atividades na ala. A morte de Epstein encerrou abruptamente um dos processos criminais federais mais acompanhados dos últimos anos. Os promotores o acusavam de comandar, por longo período, uma rede de tráfico sexual envolvendo meninas menores de idade, com relatos de vítimas em vários estados e países.

A prisão em julho de 2019 veio após anos de questionamentos sobre um acordo firmado na Flórida em 2008, que lhe permitiu evitar acusações federais à época. As novas acusações em Nova York poderiam resultar em décadas de prisão, caso houvesse condenação. A morte encerrou o processo criminal contra Epstein, mas não interrompeu investigações federais sobre possíveis cúmplices.