
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) registrou 145 notificações suspeitas de pancreatite associadas ao uso de canetas emagrecedoras entre janeiro de 2020 e dezembro de 2025. Os dados constam no sistema VigiMed, utilizado para monitorar eventos adversos relacionados a medicamentos. Do total de registros, seis notificações indicam desfecho suspeito de óbito, segundo a agência.
As notificações são classificadas como suspeitas e permanecem em investigação. A Anvisa informa que os dados, por si só, não permitem estabelecer relação direta de causa entre o uso dos medicamentos e os óbitos. A conclusão dos processos pode levar anos, pois envolve a análise de histórico clínico, comorbidades e uso concomitante de outras substâncias.
Entre as seis notificações de morte, duas citam o uso de “Ozempic”, três mencionam “Saxenda” e uma faz referência ao “Mounjaro”. A Anvisa alerta que a citação do nome comercial não garante que o produto envolvido seja original, já que há registros de canetas falsificadas ou manipuladas comercializadas ilegalmente com essas marcas.

No Brasil, a manipulação dessas substâncias é proibida, com exceção da tirzepatida em situações pontuais autorizadas. Apenas as empresas detentoras do registro sanitário possuem licença para a fabricação e a comercialização regular dos medicamentos. A agência reforça que notificações com marcas conhecidas podem envolver produtos de procedência desconhecida.
O tema ganhou repercussão internacional após um alerta emitido no Reino Unido, onde autoridades investigam casos de pancreatite aguda grave em usuários de medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, com 19 mortes em apuração. As fabricantes informam que a pancreatite consta como possível reação adversa em bula. A Anvisa afirma que os dados contribuíram para a decisão de exigir retenção de receita na prescrição das canetas e que outras medidas podem ser adotadas caso novos riscos sejam identificados.