Haddad critica visão da elite brasileira: “Trata o Estado como seu”

Atualizado em 9 de fevereiro de 2026 às 11:27
O ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). Foto: Reprodução

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a classe dominante no Brasil encara o Estado como propriedade própria ao comentar as raízes históricas do poder no país, durante o lançamento de seu livro em São Paulo, no sábado (7). Para Haddad, essa percepção ajuda a explicar a fragilidade da democracia brasileira.

Ao tratar da formação do Estado brasileiro, o ministro foi direto: “O Estado foi entregue aos fazendeiros como indenização da abolição da escravidão”. Em seguida, reforçou a tese central: “Nós estamos com esse problema até hoje. A classe dominante brasileira entende o Estado brasileiro como dela”.

Na avaliação de Haddad, esse legado histórico é um dos fatores que sustentam uma democracia “tão frágil”.

As declarações ocorreram durante o lançamento de Capitalismo superindustrial – caminhos diversos, destino comum, obra que reúne estudos de mestrado e doutorado do ministro e analisa transformações econômicas que levaram países como a China a patamares elevados de desenvolvimento.

O evento, realizado no Sesc 14 Bis, reuniu políticos e intelectuais, entre eles vereadores paulistanos, professores universitários e representantes da sociedade civil.

Saída da Fazenda

Haddad deixará o Ministério da Fazenda ainda neste mês. Ele já comunicou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a decisão e afirmou que a escolha do sucessor caberá ao Planalto. O secretário-executivo Dario Durigan é apontado como favorito.

No PT, Haddad é visto como “plano A” para a disputa pelo governo de São Paulo, embora ele tenha dito preferir coordenar a campanha de reeleição de Lula — aliados avaliam que o presidente tentará convencê-lo a concorrer.

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Ministério da Fazenda. Foto: Reprodução