BNDES aplica 1,74% do PIB em infraestrutura ao ano e prevê R$ 300 bilhões em 2026

Atualizado em 9 de fevereiro de 2026 às 20:43
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, em aperto de mãos com Renan Filho
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, com Renan Filho, ministro dos Transportes – André Telles/BNDES

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, afirmou que o Brasil atravessa “um ciclo de expansão da infraestrutura historicamente muito importante”. A declaração foi feita durante o seminário “Superciclo de Investimentos em Infraestrutura – Avanços e Desafios”, realizado na manhã desta segunda-feira (9), na sede do Banco, no Rio de Janeiro.

O evento reuniu representantes do Ministério das Cidades, do Ministério dos Transportes, do Ministério de Portos e Aeroportos e do setor privado. Durante o encontro, foram apresentados dados que apontam uma média anual de R$ 218 bilhões em investimentos em infraestrutura na atual gestão do BNDES, o equivalente a 1,74% do Produto Interno Bruto (PIB).

Investimentos e projeções do BNDES

Segundo os números divulgados, os aportes chegaram a R$ 280 bilhões em 2025, com projeção de R$ 300 bilhões em 2026. Mercadante destacou o papel do Banco no financiamento de projetos estruturantes e na ampliação do volume de investimentos públicos e privados no setor.

O presidente do BNDES também mencionou a importância da infraestrutura para a integração regional, a competitividade econômica e a agenda climática. Ele afirmou que a descarbonização faz parte das diretrizes adotadas pelo Banco no financiamento de projetos de longo prazo.

Segurança jurídica e financiamento

Mercadante citou decisões do Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do mecanismo Secex Consenso, como fator relevante para a retomada de investimentos. Segundo ele, o instrumento busca reduzir disputas prolongadas e ampliar a previsibilidade em projetos de infraestrutura.

Durante o seminário, a diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, Luciana Costa, afirmou que o Banco passou a priorizar financiamentos sem subsídios diretos, com maior participação do setor privado e uso de instrumentos de cofinanciamento.

Mobilidade urbana e saneamento

No eixo de mobilidade urbana, Mercadante informou que o BNDES é atualmente o maior investidor em ônibus elétricos da América Latina. Em São Paulo, foram entregues 2.500 veículos elétricos. Os investimentos no setor cresceram 41%, alcançando R$ 31 bilhões, além do apoio à expansão da Linha 2 do Metrô.

O ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que estão garantidos para 2026 R$ 8 bilhões para mobilidade urbana e R$ 8 bilhões para saneamento, com recursos do FGTS.

Rodovias, ferrovias e aeroportos

No setor rodoviário, Mercadante destacou a modernização da Rodovia Presidente Dutra, aprovada em 2024, com investimento de R$ 10,75 bilhões, em parceria com a concessionária Motiva. O ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que o país conta atualmente com o maior pipeline de concessões rodoviárias do mundo.

Entre os projetos citados estão a duplicação de 462 quilômetros de rodovias no Paraná, com investimento de R$ 9,2 bilhões, e a concessão da EcoRioMinas, anunciada em 2025, com R$ 7,3 bilhões em investimentos nos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Mercadante anunciou ainda um novo ciclo de investimentos em ferrovias, com previsão de oito leilões estimados em R$ 140 bilhões, além do lançamento de uma nova linha de financiamento do BNDES com prazos ampliados. No setor aeroportuário, foram apresentados investimentos de R$ 4,7 bilhões para a modernização de 11 aeroportos, incluindo Congonhas, onde os aportes somam R$ 3,8 bilhões.

Nova chamada pública

O presidente do BNDES informou que o Banco pretende lançar uma chamada pública voltada a projetos de equity em infraestrutura. A expectativa é que 25% dos recursos sejam aportados pela BNDESPAR, com o restante proveniente de investidores privados.

Luciana Costa afirmou que o Banco mantém a estratégia de ampliar investimentos com modelos de financiamento sem subsídios diretos, com maior participação do mercado e foco em projetos sustentáveis de infraestrutura.

Jessica Alexandrino
Jessica Alexandrino é jornalista e trabalha no DCM desde 2022. Sempre gostou muito de escrever e decidiu que profissão queria seguir antes mesmo de ingressar no Ensino Médio. Tem passagens por outros portais de notícias e emissoras de TV, mas nas horas vagas gosta de viajar, assistir novelas e jogar tênis.