
Documentos da Corregedoria da Polícia Militar de São Paulo apontam indícios que ligam o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite à empresa de ônibus Transwolff, investigada por suspeita de ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A apuração também investiga a atuação de policiais militares em favor de dirigentes da empresa.
Segundo os documentos obtidos pelo SP2, a investigação, que inicialmente apurava o envolvimento de policiais militares com a Transwolff, avançou e passou a alcançar o campo político. A Corregedoria aponta indícios de uma relação financeira entre Milton Leite e a empresa de ônibus, que teve o contrato cancelado com a Prefeitura de São Paulo.
De acordo com a investigação, a construtora Neumax é apontada como o elo financeiro entre o ex-vereador e a Transwolff. A empresa tem Milton Leite como sócio e, segundo os investigadores, pode ter sido utilizada para lavar dinheiro da empresa de ônibus.
A análise da movimentação financeira da Neumax indica que, por meio da construtora, Milton Leite recebia cerca de R$ 812 mil por mês da Transwolff pelo aluguel de um terreno vizinho ao Terminal Varginha, na Zona Sul da capital, além de um conjunto industrial na mesma região. Ainda segundo a Corregedoria, o valor pago estaria quase três vezes acima da média de mercado.

O inquérito reúne mensagens trocadas entre dirigentes da Transwolff e policiais militares presos na semana passada. Em uma delas, o sargento Nereu Aparecido Alves afirmou que o “chefe” seria Milton Leite. Em outro trecho, escreveu: “Estamos em uma agenda, vai demorar, o celular do chefe está comigo. ‘Inauguração da escola do nome da mãe do chefe Milton’”. A Corregedoria confirmou que, em 18 de agosto de 2023, houve a entrega de uma creche com o nome da mãe do então vereador.
Após a citação da homenagem, as mensagens passam a tratar de dinheiro. Um dirigente da Transwolff orienta o sargento a buscar “uns Q-S-J”, expressão que, segundo a Corregedoria, é gíria militar para propina. Durante a operação, cerca de R$ 1 milhão em dinheiro vivo foi apreendido na casa do policial.
Em nota, Milton Leite afirmou que o valor do aluguel segue o preço de mercado e declarou que qualquer informação diferente disso “se trata de ilação ou mentira”. Ele disse ainda que não conhece o sargento e que eventuais atos de militares fora de suas funções são de responsabilidade dos próprios agentes.