
O escritor e sociólogo Jessé Souza publicou e depois retirou do ar, nesta segunda-feira (9), um vídeo em que relaciona o caso do financista Jeffrey Epstein ao que chamou de “lobby judaico”. Na gravação, Jessé afirma que “Epstein é o produto mais perfeito do sionismo judaico” e sustenta que o financista teria sido financiado por esse lobby, que, segundo ele, estaria por trás dos crimes atribuídos a Epstein.
No vídeo, Jessé também declarou que a rede de exploração sexual associada a Epstein serviria como instrumento de chantagem política em favor de Israel, especialmente sobre políticos e bilionários dos Estados Unidos. As afirmações foram feitas sem apresentação de provas e contrariam investigações e reportagens já publicadas sobre o caso.
Doutor em sociologia pela Universidade de Heidelberg, na Alemanha, Jessé Souza é autor de livros como A Elite do Atraso (2017), A Classe Média no Espelho (2018) e O Pobre de Direita (2024). Ele presidiu o Ipea entre 2015 e 2016.
Na gravação inicial, o escritor também afirmou que o Holocausto teria sido explorado politicamente pelo sionismo, com apoio da indústria cultural e da mídia internacional, para silenciar críticas a Israel. Em outro trecho, comparou Israel a Epstein, dizendo que ambos agiriam com autorização tácita ou explícita de um suposto poder do “lobby judaico”.
Que absurdo este vídeo, @JesseSouzaecht! Um desfile de teorias conspiratórias, generalizações racistas e responsabilização coletiva que resgatam, quase palavra por palavra, tropos antissemitas historicamente dirigidos contra os judeus. Você não analisou um indivíduo específico… pic.twitter.com/vfYA2nGt4m
— Matheus Alexandre (@matheuszaiyt) February 9, 2026
Horas depois, Jessé publicou um novo vídeo com pedido de desculpas pelo que chamou de “escorregão”, mas manteve o conteúdo central das acusações. Na nova gravação, substituiu o termo “judaico” por “sionista” e reiterou críticas duras a Israel, dizendo que a memória do Holocausto teria sido usada para justificar violência e ocupação de territórios.
Em outro vídeo, publicado na quinta-feira (6) e ainda disponível em seu perfil no Instagram, Jessé já havia comentado o caso Epstein, comparando-o ao episódio do Banco Master no Brasil. Na ocasião, afirmou que ambos revelariam o funcionamento de elites que desrespeitam leis e voltou a citar o “lobby judaico”, com menção ao Mossad, como elemento central da trama ligada a Epstein.
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