
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta segunda-feira (9) que seguirá a ordem cronológica dos pedidos de abertura de Comissões Parlamentares de Inquérito, o que impede, neste momento, a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master.
Segundo Motta, há atualmente 16 requerimentos de CPI aguardando apreciação. Todos tratam de temas protocolados antes do pedido relacionado ao Banco Master, apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) no início de fevereiro.
O presidente da Câmara declarou que o regimento interno obriga o respeito à fila de requerimentos e lembrou que, em 2025, decidiu não instalar nenhuma CPI. De acordo com ele, a regra seguirá sendo aplicada ao longo de 2026.
Levantamento do Estadão aponta que 304 dos 513 deputados afirmaram apoiar a abertura de uma CPI do Master, seja no formato exclusivo da Câmara ou em comissão mista. Um parlamentar declarou oposição, quatro não responderam, e os demais não se manifestaram.

Apesar do apoio declarado, a decisão final sobre a instalação de CPIs é política e depende da avaliação da presidência da Casa. Parlamentares ouvidos reservadamente apontam preocupação com o impacto de investigações em ano eleitoral.
Paralelamente ao pedido na Câmara, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) protocolou requerimento para a criação de uma CPI mista, com participação de deputados e senadores. O pedido reuniu assinaturas de 238 deputados e 42 senadores, majoritariamente da oposição.
Na fila de CPIs que aguardam análise há requerimentos protocolados desde agosto de 2023, incluindo investigações sobre irregularidades em empresas de passagens aéreas promocionais e denúncias de exploração sexual infantil na Ilha do Marajó, no Pará.
Também constam pedidos para apurar o aumento do uso de crack no Brasil, crimes digitais contra pessoas vulneráveis, denúncias de estupro, atuação de sindicatos em fraudes no INSS e temas relacionados ao crime organizado.
O requerimento de CPI do Banco Master é o único apresentado em 2026 e aparece como o último da fila. Com a manutenção da ordem cronológica, não há previsão para que o pedido seja analisado pela presidência da Câmara.