Flávio Bolsonaro ataca STF, Lula e Macron em entrevista à TV francesa

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 7:05
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante entrevista à TV francesa CNews, nesta segunda-feira (9). Foto: Reprodução

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) usou uma entrevista ao vivo no canal francês CNews, nesta segunda-feira (9), para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atacar o Supremo Tribunal Federal (STF) e chamar o presidente da França, Emmanuel Macron, de “incompetente”.

O parlamentar falou por cerca de meia hora no horário nobre da emissora, apontada como ligada à ultradireita francesa, e citou repetidas vezes o ministro Alexandre de Moraes. A CNews é alvo de críticas na França por supostamente não respeitar o pluralismo exigido por lei, ao oferecer espaço desproporcional a políticos e ideias de ultradireita.

Durante a entrevista, Flávio afirmou que o Brasil não vive “uma democracia plena” e declarou que Jair Bolsonaro teria sido condenado por “seus próprios inimigos”.

“É muito importante que todos os franceses tenham conhecimento de que o Brasil hoje não vive uma democracia plena. O presidente Bolsonaro foi condenado por seus próprios inimigos”, afirmou o senador, mencionando Moraes em diversos momentos.

Flávio também levou à entrevista acusações relacionadas a suspeitas de desvios no INSS e citou Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. “O Brasil passa hoje por graves acusações de roubo de aposentados do nosso sistema previdenciário, sendo que é acusado de desviar dinheiro o próprio filho do presidente Lula”, disse.

Investigadores apuram se há alguma ligação de Lulinha com o lobista conhecido como Careca do INSS. Na semana passada, em entrevista ao UOL, Lula afirmou ter conversado com o filho, no Palácio do Planalto, e disse que, caso haja envolvimento no esquema de descontos indevidos de aposentados, ele deve “pagar o preço”.

Críticas a Macron

Na entrevista, Flávio acusou Macron de ter ido ao Brasil “apenas para tirar fotos abraçando árvores na Amazônia”. O texto lembra que o presidente francês esteve em Belém duas vezes em 2024, quando foi fotografado de mãos dadas com Lula na floresta, e novamente no ano passado, durante a COP30, realizada na capital paraense.

O senador também afirmou que “a região amazônica foi preservada durante o governo do presidente Bolsonaro” e que, “no atual governo do presidente Lula, a Amazônia sofreu três anos consecutivos de recorde de queimadas”. Ele não apresentou dados que comprovassem a declaração.

Flávio disse ainda esperar novos presidentes no Brasil e na França no próximo ano. “O Brasil não aguenta mais quatro anos de um governo de extrema esquerda. Assim como a França, acredito, não aguenta mais um mandato de um governo de extrema incompetência como o de Emmanuel Macron, que tem feito tanto mal a este país”, declarou.

Macron, no entanto, não pode disputar um terceiro mandato, e a próxima eleição presidencial francesa está marcada para 2027.

Perguntas sobre sanções e acordo UE–Mercosul

Os entrevistadores pressionaram o senador em dois momentos. No primeiro, perguntaram duas vezes por que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou Alexandre de Moraes da lista de sanções da Lei Magnitsky, em dezembro.

“O presidente Trump sabe que o Brasil tem uma posição muito estratégica na geopolítica mundial hoje. Por isso, precisa ter boas relações com o Brasil, independentemente de quem seja o presidente da República”, respondeu Flávio.

Em seguida, os jornalistas questionaram o senador sobre o acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, rejeitado quase unanimemente por políticos franceses. Flávio afirmou que o acordo foi “um passo adiante importante” e que “não vai impactar fortemente os produtores rurais franceses”.

O senador está na Europa para uma agenda de encontros com representantes da ultradireita do continente. Ele publicou uma foto ao lado da deputada europeia Marion Maréchal, sobrinha da líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen, do partido Reunião Nacional.