Taxa de juros a 2% explica derrota de Bolsonaro em 2022, diz Haddad

Atualizado em 10 de fevereiro de 2026 às 15:53
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, durante evento do BTG Pactual. Foto: Divulgação

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 2% durante o governo Jair Bolsonaro foi um dos principais fatores que explicam a derrota do ex-presidente nas eleições de 2022. Segundo ele, a política monetária adotada naquela gestão teve impacto direto na disparada da inflação e no agravamento do ambiente econômico do país, fatores que prejudicaram a campanha eleitoral.

“Com uma inflação de 13%, não tinha como a dívida [pública] não cair”, disse o ministro nesta terça (10). A declaração foi dada durante sua participação no evento CEO Conference, promovido pelo banco BTG Pactual.

“Fixaram os juros a 2%, o câmbio disparou e a inflação veio na sequência. A inflação chegou a dois dígitos. Como é que você entra numa eleição com inflação de dois dígitos?”, prosseguiu. Haddad criticou as decisões tomadas no ano eleitoral, especialmente a desoneração dos combustíveis, que, segundo ele, teve efeito apenas temporário e gerou desequilíbrios fiscais significativos.

“Fizeram aquela maquiagem com a gasolina, que arrebentou as contas estaduais e também as federais”, acrescentou o ministro.

Jair Bolsonaro, então presidente, durante campanha em 2022. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Haddad apontou que a redução da dívida observada naquele período não foi fruto de uma melhora estrutural das contas públicas, mas sim uma consequência direta da inflação elevada. O ministro destacou ainda questionou como um governo poderia enfrentar uma eleição com tamanha pressão sobre os preços e o custo de vida da população.

O ministro ainda disse que o início do terceiro mandato de Lula foi marcado por “muita confusão”, especialmente no que se refere à análise da situação deixada por Bolsonaro. Haddad relatou que o orçamento de 2023 não levou em consideração o não pagamento de precatórios e o aumento do Bolsa Família, o que gerou dificuldades adicionais.

De acordo com Haddad, a falta de clareza sobre o que realmente aconteceu em 2022 complicou a compreensão e a construção das soluções econômicas no início do governo Lula.

Sobre o cenário econômico atual, Haddad afirmou que não vê justificativa para a continuidade da alta dos juros reais, uma vez que o patamar elevado já pressiona a dívida pública do país. Ele alertou que o governo não conseguiria compensar esse efeito com nenhum nível de superávit primário.

Caique Lima
Caique Lima, 27. Jornalista do DCM desde 2019 e amante de futebol.