
O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, admitiu nesta terça-feira (10) que almoçou com o financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein em sua ilha privada no Caribe, em 2012.
O encontro ocorreu durante uma viagem de férias em família e incluiu a presença da esposa de Lutnick, de seus quatro filhos e de babás, segundo o próprio relato feito em depoimento ao Comitê de Apropriações do Senado.
“Eu almocei com ele, sim, enquanto estava em um barco durante uma viagem de férias em família”, afirmou Lutnick. “Minha esposa estava comigo, assim como meus quatro filhos e as babás. Também havia outro casal com crianças. Ficamos cerca de uma hora na ilha.”
A declaração ocorre em meio a uma crescente pressão bipartidária no Congresso para que o secretário renuncie ao cargo.
Epstein havia se declarado culpado em 2008 por crimes ligados à prostituição de menores na Flórida, incluindo o aliciamento de uma criança, em um acordo judicial que lhe permitiu escapar de acusações federais mais graves. Ainda assim, segundo documentos recentemente divulgados, Lutnick discutiu a visita à ilha em 2012, quatro anos após a condenação do financista.
O deputado republicano Thomas Massie afirmou que Lutnick deveria renunciar para “poupar o presidente de mais desgaste político”. “Se isso fosse no Reino Unido, ele já teria sido afastado”, disse, citando casos em que figuras públicas perderam cargos após vínculos com Epstein. Do lado democrata, o deputado Robert Garcia foi direto: “Lutnick precisa renunciar ou ser demitido, e precisa responder às nossas perguntas”.
Outros parlamentares democratas, como Ro Khanna, Ted Lieu, Melanie Stansbury e o senador Adam Schiff, também passaram a defender publicamente a saída do secretário. Eles questionam não apenas o encontro em si, mas o fato de ele ter ocorrido após a condenação de Epstein e envolver crianças.
Em seu depoimento, Lutnick tentou minimizar a relação. Disse que “mal teve contato” com Epstein ao longo de 14 anos e que se encontrou com ele apenas três vezes. Antes, o secretário havia declarado que rompeu relações com o financista em 2005. As novas revelações, porém, contradizem essa versão e reacendem o debate sobre o grau de tolerância do alto escalão do governo dos EUA com figuras centrais do escândalo Epstein durante a era de Donald Trump.
People can decide if they care are or not, I suppose, but Howard Lutnick told this melodramatic, detailed story about he met Jeffrey Epstein in 2005 and was so “disgusted” by him that he ran out and never saw him again.
The whole story was a total lie.pic.twitter.com/gsxU8JYkmj
— Glenn Greenwald (@ggreenwald) February 10, 2026