
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, afirmou na última terça-feira (10) que escapou de uma tentativa de assassinato enquanto voava em um helicóptero no Caribe colombiano. Segundo ele, a aeronave seria alvo de disparos ao tentar pousar no departamento de Córdoba, em meio a alertas sobre um suposto plano de narcotraficantes para matá-lo.
O caso ocorreu na noite de segunda-feira, quando, de acordo com o próprio mandatário, a equipe foi informada de que o helicóptero poderia ser atacado.
“Ontem à noite não pude pousar porque fui informado de que o helicóptero em que eu viajava com minhas filhas seria alvejado. Eles nem sequer acenderam as luzes do local onde eu deveria pousar”, disse Petro em reunião com ministros transmitida ao vivo, acrescentando que escapou “por pouco” da morte.
A denúncia foi reforçada pelo gerente do Sistema de Meios Públicos, Hollman Morris. No X, ele afirmou: “O presidente Gustavo Petro informa ao país que, nos últimos dias, estava sendo planejado um plano para matá-lo”. Segundo Morris, também teria sido descoberta “uma armação para colocar alucinógenos em um automóvel”, além de planos que incluiriam um ataque contra a família presidencial.
GRAVÍSSIMO! Gustavo Petro, presidente da Colômbia, quase foi assassinado. Ele relatou que passou dois dias foragido para evitar ser morto. Não pousou devido ao risco de ataque, temendo disparos contra o helicóptero em que viajava com seus filhos, e teve que navegar por quatro… pic.twitter.com/0nM7QJgKvL
— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) February 11, 2026
Petro sustenta que uma “nova junta do narcotráfico” quer assassiná-lo desde que assumiu o poder, em 2022. Ele cita a participação de traficantes no exterior e de guerrilheiros como Iván Mordisco, líder da maior dissidência das FARC e considerado o criminoso mais procurado do país.
A denúncia surge poucos dias após o Clã do Golfo anunciar a suspensão das negociações de paz no Catar com o governo colombiano. A organização, principal cartel de exportação de cocaína da Colômbia, protestou contra a priorização de ações militares e de inteligência contra seu chefe, Chiquito Malo, em reunião entre Petro e Donald Trump na Casa Branca. Antes disso, os EUA haviam imposto sanções ao governo colombiano por suposta falta de firmeza no combate às máfias.
“Isso seria um atentado contra a boa-fé e os compromissos” assumidos até o momento no Catar, declarou o Clã do Golfo no X ao anunciar que deixará a mesa de negociações “provisoriamente”.
A Colômbia tem histórico de assassinatos de líderes políticos ligados a alianças entre narcotraficantes, paramilitares e agentes estatais. Em 2022, uma comitiva de segurança de Petro foi alvo de emboscada no norte do país. Em 2025, o então senador e pré-candidato Miguel Uribe foi baleado durante evento de campanha em Bogotá e morreu semanas depois.