
A inflação de alimentos e bebidas perdeu força em janeiro de 2026, segundo dados divulgados nesta terça-feira (10) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O grupo registrou alta de 0,23% no mês, no âmbito do IPCA, índice oficial que mede a variação de preços no país. Trata-se do principal segmento do indicador.
O resultado é o menor para um mês de janeiro desde 2006, quando a elevação havia sido de 0,11%. Também é a segunda taxa mais baixa para o período desde o início do Plano Real, implantado em julho de 1994.
Historicamente, o começo do ano costuma concentrar aumentos mais intensos nos preços de alimentos, em razão de fatores sazonais ligados à oferta e à demanda. A taxa de 0,23% veio após avanço de 0,27% em dezembro.
Economistas associam o desempenho mais contido à ampliação da produção agrícola e à queda do dólar em 2025, variável que impacta diretamente as commodities. “É uma reação a boas safras e apreciação cambial no ano passado”, afirma o economista Fábio Romão, sócio da consultoria Logos Economia.
Dentro do grupo, a alimentação no domicílio desacelerou para 0,10% em janeiro, após 0,14% no mês anterior. O IBGE destacou as quedas do leite longa vida, que recuou 5,59%, e do ovo de galinha, com baixa de 4,48%. Ambos tiveram influência relevante no resultado geral.

Segundo Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IPCA, o recuo do leite está ligado ao aumento dos estoques, impulsionado pela produção interna e pelas importações. Já a redução no preço do ovo ocorreu em meio à diminuição do custo da ração e à menor procura durante as férias escolares.
A tendência, contudo, pode mudar nos próximos meses. Com a volta às aulas e a aproximação da quaresma, a demanda tende a crescer, o que pode pressionar novamente os valores desses itens. O comportamento dos preços dependerá do equilíbrio entre consumo e oferta.
Na contramão das quedas, o tomate subiu 20,52% em janeiro. De acordo com Gonçalves, houve impacto da “desaceleração da safra” em meio a episódios recentes de calor e chuvas. “Teve aumento de descarte. Deu uma pressionada no preço”, explicou o pesquisador.
As carnes também avançaram 0,84%, com altas no contrafilé (1,86%) e na alcatra (1,61%). No acumulado de 12 meses até o fim de 2025, a alimentação no domicílio registrou inflação de 1,43%.
Para 2026, Fábio Romão projeta alta de 3,8% no segmento, influenciada por possível encarecimento das carnes e efeitos do fenômeno ‘El Niño’ sobre o campo. Segundo ele, a expectativa de menor oferta de animais para abate, em razão da inversão do ciclo da pecuária, tende a elevar o preço da proteína animal.