
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que se coloca como pré-candidato à Presidência em 2026, voltou a comparar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a um carro Opala durante participação em conferência do banco BTG nesta quarta-feira (11). “Lula é como Opala, ‘velhão’, já foi bonito, mas hoje não te leva a lugar nenhum e ainda bebe para caramba”, afirmou, sendo aplaudido por parte do público.
A comparação do senador envolvido em escândalos de “rachadinha” foi feita pela segunda vez em menos de duas semanas. A tentativa de depreciar o petista foi dita pela primeira vez no último dia 2 em entrevista à Rádio Fan.
Nesta quarta, ao falar sobre o cenário eleitoral, Flávio disse que a próxima disputa presidencial não será um embate pessoal entre Lula e Jair Bolsonaro. “Se é o caminho da prosperidade, que vamos propor, ou o caminho das trevas”, declarou ao defender que o pleito de 2026 será uma escolha de rumos para o país.
Questionado sobre sua relação com as instituições, diante das crises ocorridas no governo de seu pai, o senador afirmou que buscou diálogo, mas criticou o Supremo Tribunal Federal.
Segundo ele, não houve “autocontenção” da Corte. “Quando isso não acontece, é outro poder externo que tem que fazer, no caso, o Senado. No que depender de mim, sempre vou buscar o diálogo. Vamos ganhar a eleição com o cérebro, não com o fígado”, disse.

Flávio classificou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como um “amigo” e afirmou que ele “vai entrar de cabeça” em sua pré-campanha. Também declarou respeito à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e comentou que ela “ainda está pensando se vai entrar para a vida pública”.
O senador visitou Jair Bolsonaro, preso na Papudinha, em Brasília, e afirmou que foi apenas para um abraço. A defesa do ex-presidente voltou a pedir prisão domiciliar ao ministro Alexandre de Moraes, do STF.
Sobre alianças, Flávio avaliou que partidos do centrão não devem apoiar o PT. “Não estou cobrando tempo e não estou com pressa”, afirmou. Ele citou Ciro Nogueira e Antonio Rueda como dirigentes com quem tem tido “boas conversas”.
“Todo mundo estava apostando que Tarcísio seria o candidato apontado pelo presidente Bolsonaro”, disse, acrescentando que sua pré-candidatura vem evoluindo nas pesquisas. “Acho que neste momento já estou conseguindo mostrar que podem diminuir essa preocupação”, declarou.
Na agenda internacional, após viagem a Israel, Emirados Árabes, Bahrein e França, o senador afirmou que o “mundo árabe” poderia investir em infraestrutura no Brasil, mas apontou insegurança jurídica como entrave. Ele também minimizou eventual apoio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Não digo apoio porque não vai ter nenhum país interferindo em eleição no Brasil. Trump olha para o mundo colocando em primeiro lugar os interesses dos americanos”, afirmou. E completou: “Tenho que sentar com Estados Unidos, China, Israel, mundo árabe. Só espero que Lula não tome uma cachaça antes de ir para um encontro como esse, fale abobrinhas e arrote sentimento anti-americano, em vez de defender interesses brasileiros”.
Sobre segurança pública, ao comentar visita a El Salvador, declarou: “Se tem uma coisa que vou ser radical é a segurança pública. [Em El Salvador] vi violações de direitos humanos das vítimas dos ‘pandilleros’. O Brasil precisa resgatar os territórios hoje dominados por organizações narcoterrriostas”.
Perguntado sobre possíveis nomes para a Fazenda, disse que Mansueto Almeida e Roberto Campos Neto são “excepcionais”, mas ponderou: “Nome se vê lá na frente. Tem que ser no mínimo igual ao Paulo Guedes. Mas vai ser muito melhor que o [Fernando] Haddad”.