Banco Master: PF pede suspeição de Toffoli após perícia em celular de Vorcaro

Atualizado em 11 de fevereiro de 2026 às 21:27
Dias Toffoli, ministro do STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF

A Polícia Federal pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a suspeição do ministro Dias Toffoli como relator das investigações envolvendo o Banco Master. O pedido tem como base conversas encontradas no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira, liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central. Fachin já intimou Toffoli a se manifestar.

A informação sobre os diálogos apreendidos foi revelada por Daniela Lima e Fabio Serapião, do Uol. A auxiliares, o ministro tem afirmado que não vê motivo para se afastar da relatoria. Em nota, o gabinete de Toffoli declarou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”.

A manifestação acrescenta que “juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”.

Um pedido semelhante já havia sido encaminhado pela PF à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o procurador-geral, Paulo Gonet, não deu andamento à solicitação.

Fachada do prédio do Banco Master, no Itaim Bibi, em São Paulo. Foto: Maria Isabel Oliveira/Agência O Globo

Ele já havia negado afastamento em requerimento semelhante apresentado por parlamentares de oposição. Na ocasião, Gonet afirmou que o caso do Banco Master “já é objeto de apuração perante o Supremo Tribunal Federal, com atuação regular da Procuradoria-Geral da República”. E concluiu: “não há qualquer providência a ser adotada no momento”.

Nos bastidores do STF, ministros avaliam que a prerrogativa para propor suspeição seria exclusiva da PGR, o que colocaria em dúvida a legitimidade da PF para formalizar o pedido. Ainda assim, Fachin determinou a notificação de Toffoli para que se pronuncie.

O ministro Gilmar Mendes manifestou apoio ao colega após a negativa da PGR. “A rigor, ele atendeu a todas as considerações da PF e da Procuradoria-Geral [da República]. Não há razão para qualquer questionamento sobre sua conduta”, afirmou à Folha.

Nas redes sociais, acrescentou que “em um Estado de Direito, a preservação do devido processo legal e a observância das garantias institucionais constituem condições essenciais para a estabilidade democrática e para a confiança da sociedade nas instituições”.

Toffoli enfrenta críticas pela condução do inquérito, especialmente pelo regime de sigilo adotado, pela viagem de jatinho com advogado do caso e por menções a negócios envolvendo familiares e fundo ligado ao Master. Integrantes do STF discutem a possibilidade de envio da investigação à primeira instância como alternativa, mas o ministro resiste.

Pelo Código de Processo Penal, há impedimento quando o juiz ou familiares são diretamente interessados na causa. Já a suspeição envolve critérios subjetivos, como amizade íntima ou aconselhamento às partes. Caso Toffoli se declarasse suspeito ou impedido, todas as decisões já tomadas seriam anuladas e o processo recomeçaria.

Augusto de Sousa
Augusto de Sousa, 31 anos. É formado em jornalismo e atua como repórter do DCM desde de 2023. Andreense, apaixonado por futebol, frequentador assíduo de estádios e tem sempre um trocadilho de qualidade duvidosa na ponta da língua.