Toffoli diz que pedido da PF para afastá-lo do caso Master é baseado em “ilações”

Atualizado em 11 de fevereiro de 2026 às 21:38
Dias Toffoli, ministro do STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta quarta-feira que o pedido de suspeição apresentado pela Polícia Federal (PF) para afastá-lo da relatoria do caso Master é baseado em “ilações”.

Em nota, o gabinete do ministro declarou que, juridicamente, a PF não tem legitimidade para formular esse tipo de pedido, por não ser parte no processo, conforme prevê o artigo 145 do Código de Processo Civil. O conteúdo da manifestação será respondido por Toffoli ao presidente da Corte.

“O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”, diz o comunicado.

Antes de o pedido chegar ao ministro, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do STF, Edson Fachin, informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira liquidada pelo Banco Central, que incluiriam menções a Toffoli.

O material está sob sigilo. Após receber os dados, Fachin encaminhou o documento para que o relator se manifeste sobre eventual conflito de interesse. Pessoas próximas ao ministro afirmam que ele está “absolutamente tranquilo” e que apresentará esclarecimentos formais.

O caso Master chegou ao STF após a defesa de Vorcaro alegar que a investigação mencionava um deputado federal, o que atrairia a competência da Corte por envolver foro privilegiado. Sorteado relator, Toffoli determinou que o inquérito passasse a tramitar no Supremo.

A decisão foi criticada por parlamentares da oposição. Um pedido anterior de afastamento do ministro foi rejeitado pela Procuradoria-Geral da República (PGR). A representação mencionava uma viagem de Toffoli a Lima, em avião de um empresário, na companhia de um advogado ligado a executivo investigado, além da venda de participação de um resort no Paraná por seus irmãos a um cunhado de Vorcaro.

Em entrevista recente, Rodrigues afirmou que a PF caminha para a conclusão do inquérito principal até 16 de março, prazo fixado por Toffoli. Segundo ele, as investigações seguem com foco definido, mas “sem descartar nenhuma hipótese” ou eventuais descobertas paralelas.

Davi Nogueira
Davi tem 25 anos, é editor e repórter do DCM, pesquisador do Datafolha e bacharel em sociologia pela FESPSP, além de guitarrista nas horas vagas.