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Vorcaro mantinha relação com políticos pelo menos desde 2022, segundo a PF

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Foto: reprodução

A perícia da Polícia Federal no celular do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, identificou menções a políticos com foro privilegiado e ampliou o alcance das investigações sobre a instituição financeira, que teve a liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro. O material, segundo relatos feitos à CNN, aponta conversas mantidas por Vorcaro com deputados e senadores desde 2022, incluindo ao menos um presidente de partido político.

Além dos diálogos diretos, investigadores encontraram citações a parlamentares em trocas de mensagens entre Vorcaro e Fabiano Zettel, pastor e cunhado do banqueiro. Pessoas envolvidas na apuração descrevem o volume de referências como uma “tempestade” de menções a políticos, comparável à delação de executivos da Odebrecht no auge da Lava Jato.

A presença de autoridades com foro privilegiado praticamente afasta a possibilidade de o caso deixar o Supremo Tribunal Federal (STF) e seguir para a primeira instância. O cenário também intensifica a crise política em torno do Banco Master, que já mobiliza integrantes do Congresso e do Judiciário.

No mesmo contexto, a Polícia Federal pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, a suspeição do ministro Dias Toffoli na relatoria das investigações. O pedido tem como base conversas encontradas no celular de Vorcaro que fariam referência ao magistrado. Fachin já intimou Toffoli a se manifestar.

A auxiliares, Toffoli tem afirmado que não vê motivo para se afastar. Em nota, o gabinete do ministro declarou que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações”.

O comunicado acrescenta que “juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte”.

Antes de recorrer ao STF, a PF já havia levado solicitação semelhante à Procuradoria-Geral da República (PGR), mas o procurador-geral Paulo Gonet não deu andamento ao pleito.

Dias Toffoli, ministro do STF. Foto: Rosinei Coutinho/STF

Os investigadores também recuperaram mensagens apagadas do aparelho de Vorcaro, que estava protegido por senha. O conteúdo foi apresentado a Fachin e permanece sob sigilo judicial. As conversas indicariam novas frentes de apuração envolvendo pessoas com e sem foro privilegiado.

Toffoli é o relator do inquérito que apura suposta fraude de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito adquiridas pelo Banco de Brasília (BRB) junto ao Banco Master. A liquidação da instituição pelo Banco Central desencadeou uma série de investigações sobre gestão fraudulenta, operações financeiras e possíveis conexões políticas.

Com o avanço da perícia e a inclusão de parlamentares nas conversas analisadas, a tendência é que o caso permaneça sob supervisão do Supremo, com potencial para novos desdobramentos jurídicos e políticos nas próximas semanas.