
A “privatização” de uma calçada na Faria Lima durante o Carnaval virou alvo de críticas nas redes sociais e reacendeu questionamentos sobre o empresário Alexandre Lafer Frankel. O episódio ocorreu no último domingo (8), durante o evento Carna Housi, realizado no Housi Faria Lima, ponto por onde passou o Bloco Beleza Rara.
Frankel publicou um vídeo no Instagram no qual afirma que o evento, realizado pela quarta vez, se tornou “um dos camarotes mais desejados de São Paulo”. A celebração foi organizada como um “camarote Housi” em meio ao trajeto do bloco, o que gerou críticas sobre o uso da calçada pública para fins privados.
Internautas afirmam que a estrutura montada no local representou uma apropriação indevida do espaço público, enquanto apoiadores tratam o evento como ação de ativação de marca dentro do contexto carnavalesco.
O vereador e arquiteto Nabil Bonduki foi um dos que criticaram a “cafonice”: “Nem o Porta dos Fundos faria melhor. Detalhe: esse é o sujeito que foge da CPI. Agora resolveu privatizar a calçada”, escreveu no X.
A crítica faz referência à atuação de Frankel à frente de empresas do setor imobiliário e às investigações em curso na Câmara Municipal.
E completou: “Sobre o vídeo: sim, ele é real. Sim, custava R$ 450 para ficar em um espaço cercado no meio de ativações de dezenas de marcas. Não é problema quem escolhe curtir o carnaval assim. O problema é a privatização ilegal da calçada e a prefeitura simplesmente não fazer nada. Já denunciei, pedi fiscalização e explicações.”
Sobre o vídeo: sim, ele é real. Sim, custava R$ 450 para ficar em um espaço cercado no meio de ativações de dezenas de marcas. Não problema quem escolhe curtir o carnaval assim.
O problema é a privatização ilegal da calçada e a prefeitura simplesmente não fazer nada. Já… https://t.co/ORmKoeuPY8 pic.twitter.com/iq8fZx3sHf
— Nabil Bonduki 🏡 (@NabilBondukiSP) February 11, 2026
Frankel e as ausências na CPI
Frankel é fundador da Vitacon e CEO da Housi. Em 2025, ele foi convocado a prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura possíveis fraudes na comercialização de Habitações de Interesse Social (HIS) e Habitações de Mercado Popular (HMP) em São Paulo, mas não compareceu às duas primeiras datas sugeridas.
O empresário tem evitado participar das discussões, alegando impedimentos, mas mantém forte presença nas redes sociais e na divulgação de seus negócios.
Nos bastidores, integrantes da CPI apontam a Vitacon como uma das principais suspeitas de desvirtuar a política habitacional voltada à população de baixa renda, especialmente em áreas próximas a eixos de transporte público. A construtora tem forte atuação em empreendimentos com unidades HIS e HMP.
A ligação entre as empresas também está no centro das discussões. A Vitacon é considerada “irmã” da Housi, marca que administra apartamentos para investidores e oferece aluguéis de curta duração.
Nos empreendimentos da construtora, os serviços da Housi são sugeridos como opção aos proprietários, incluindo a administração dos aluguéis e a decoração dos imóveis para facilitar a locação.