PF encontra no celular de Vorcaro menção a R$ 20 milhões para empresa de Toffoli

Atualizado em 12 de fevereiro de 2026 às 13:35
O ministro Dias Toffoli. Foto: Divulgação

Investigadores da Polícia Federal identificaram no celular do banqueiro Daniel Vorcaro conversas que mencionam pagamentos de ao menos R$ 20 milhões à empresa Maridt, da qual o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), é sócio.

A informação foi confirmada por agentes envolvidos na apuração do caso Banco Master à CNN Brasil. O material integra o relatório encaminhado ao presidente da Corte, Edson Fachin.

As mensagens foram localizadas durante a perícia técnica realizada no aparelho dele. Nos diálogos, há referência a repasses milionários à Maridt. Até o momento, porém, a investigação não conseguiu comprovar se os valores mencionados nas conversas chegaram efetivamente a ser transferidos ao ministro ou a terceiros.

Toffoli não é formalmente investigado no inquérito. Por essa razão, não houve quebra de sigilo bancário ou fiscal que permitisse verificar a existência de eventuais transferências. A ausência dessas medidas técnicas limita a confirmação material dos pagamentos citados nas mensagens.

O gabinete do ministro divulgou nota nesta quinta-feira (12) reconhecendo que ele é sócio da Maridt, empresa ligada a familiares que negociou a venda de uma participação no Resort Tayayá ao fundo Arleen, associado a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.

Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Foto: Divulgação

O magistrado afirmou que jamais recebeu valores do banqueiro ou de seu cunhado, Fabiano Zettel. Na nota oficial, o ministro declarou ainda que desconhece o gestor do fundo Arleen e que nunca manteve relação de amizade, “muito menos amizade íntima”, com Daniel Vorcaro.

Também negou qualquer recebimento de recursos provenientes do empresário ou dele. O relatório da Polícia Federal aponta que as mensagens foram trocadas entre ambos e tratam de pagamentos à Maridt.

Os investigadores trabalham com a estimativa conservadora de R$ 20 milhões mencionados nos diálogos, embora o total citado nas conversas possa chegar a aproximadamente R$ 30 milhões. Não há, nas mensagens, detalhamento sobre a natureza específica dos valores.

Como Toffoli possui foro por prerrogativa de função, as informações que o mencionam foram remetidas ao STF. O conteúdo do relatório também passou a ser analisado quanto à eventual repercussão na relatoria do caso Banco Master, que está sob responsabilidade do próprio ministro.

Fabiano Zettel, citado nas conversas, também é alvo das investigações. Segundo informações já divulgadas, ele realizou doações que somam R$ 5 milhões a campanhas políticas.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.