A resposta de Toffoli a Fachin sobre relatoria do caso Master

Atualizado em 12 de fevereiro de 2026 às 17:28
O presidente da Corte, Edson Fachin e o ministro Dias Toffoli. Foto: Divulgação

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), entregou nesta quinta-feira (12) ao presidente da Corte, Edson Fachin, sua resposta oficial sobre as citações feitas ao seu nome em conversas extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

Ele afirmou que não vê qualquer impedimento ou suspeição que justifique sua saída da relatoria do caso Master, destacando que não considera que sua posição no processo seja comprometida.

O material da investigação, que inclui as menções a Toffoli, foi entregue na quarta-feira (11) pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, ao ministro Fachin. Importante notar que, apesar de a PF ter recolhido os dados do celular de Vorcaro, não há pedido formal de suspeição contra Toffoli.

Nesta quinta-feira (12), Fachin convocou uma reunião com os ministros do STF para discutir o relatório da Polícia Federal, que já havia sido analisado pelo presidente da Corte. Durante o encontro, ele também abordará a resposta do ministro, a fim de esclarecer os pontos levantados nas investigações.

A permanência dele na relatoria do caso Master tem gerado críticas, especialmente após a divulgação de indícios de que o ministro teria vínculos com envolvidos diretamente no caso. Tais ligações geraram dúvidas sobre a imparcialidade do magistrado para julgar o processo que envolve o banco investigado.

O ministro Dias Toffoli. Foto: Divulgação

Um dos principais elos de Toffoli com os investigados do caso Master é a empresa Maridt Participações, da qual ele faz parte do quadro societário. Em sua defesa, ele esclareceu que a Maridt é uma empresa familiar, administrada pelos seus irmãos, e que sua participação na companhia é passiva, ou seja, ele não exerce papel de administrador.

A Maridt Participações esteve envolvida com um fundo gerido pela empresa Reag, vinculada ao Banco Master, por meio de transações relacionadas ao resort de luxo Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. A empresa da família Toffoli foi uma das proprietárias do empreendimento até fevereiro de 2025, quando a venda foi concluída.

A relação entre a Maridt e a Reag tem sido central para a investigação, com o nome de João Carlos Mansur, fundador da Reag Investimentos, sendo citado nas apurações. Mansur é um dos investigados na segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras no Banco Master.

Até o momento, se sabia que os irmãos de Toffoli eram diretores da Maridt. Contudo, nesta quinta-feira (12), Toffoli admitiu que também é sócio da empresa, mas explicou que seu nome não consta nos registros públicos devido ao tipo de estrutura societária, sendo a Maridt uma sociedade anônima de capital fechado. Segundo o ministro, ele não exerce funções de gestão na empresa, apenas recebe dividendos de sua participação.

Guilherme Arandas
Guilherme Arandas, 28 anos, atua como redator no DCM desde 2023. É bacharel em Jornalismo e está cursando pós-graduação em Jornalismo Contemporâneo e Digital. Grande entusiasta de cultura pop, tem uma gata chamada Lilly e frequentemente está estressado pelo Corinthians.