Quaest: 67% não veem benefício em nova isenção do IR de R$ 5 mil

Atualizado em 12 de fevereiro de 2026 às 18:33
Notas de real — Foto: Reprodução

A nova medida que isenta o Imposto de Renda (IR) de pessoas que ganham até R$ 5 mil por mês, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), entrou em vigor em janeiro de 2026. Segundo uma pesquisa realizada pela Quaest, 67% dos brasileiros disseram que não foram beneficiados pela medida, enquanto 30% afirmaram ter percebido vantagens diretas. A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, também revelou que 3% dos entrevistados não souberam ou não responderam sobre o impacto da isenção.

Com a isenção, aproximadamente 15 milhões de contribuintes devem ser impactados, deixando de pagar o imposto mensalmente. Dos beneficiados, 47% relataram sentir diferença na renda familiar. Contudo, a percepção de impacto varia: 15% dos entrevistados acreditam que a renda aumentou significativamente, enquanto 32% notaram um pequeno aumento. Em contraste, 50% afirmaram não ter sentido nenhuma diferença no bolso.

O governo também implementou um desconto progressivo para rendas até R$ 7.350 mensais, uma medida que atinge uma parcela significativa da classe média. Para os contribuintes de alta renda, o cenário muda, com um novo imposto sendo cobrado sobre valores que excedem R$ 600 mil por ano. O economista Bruno Carazza explica que a medida vai arrecadar de quem ganha mais para beneficiar os trabalhadores de menor rendimento.

Em termos de números, as expectativas eram de que quem ganhava R$ 5 mil por mês tivesse um acréscimo de R$ 312,89. No entanto, o impacto real nas famílias tem sido maior ou menor, dependendo do nível de renda. A isenção também envolve alterações para quem ganha mais de R$ 600 mil, com alíquotas pequenas aplicadas sobre os valores que excedem esse limite.

Tabela atualizada do Imposto de Renda

A medida é uma das promessas de campanha de Lula, com o objetivo de aliviar a carga tributária da classe média e, ao mesmo tempo, gerar uma movimentação na economia. A estimativa do impacto econômico é de que R$ 28 bilhões sejam injetados no mercado, o que pode estimular o consumo e o crescimento econômico. A medida também alinha-se com a trajetória do governo para aumentar a justiça fiscal no Brasil.

Além disso, a isenção ocorre no contexto de um ano eleitoral, e a popularidade de Lula se beneficia com os resultados, conforme revelam as pesquisas. A medida agrada a uma parte significativa da população, mas a percepção do benefício real varia entre os diferentes grupos econômicos do país.

No entanto, é importante ressaltar que, enquanto uma grande parte dos brasileiros ainda não sente o impacto da isenção, a medida representa uma mudança significativa na política tributária brasileira, com efeitos para os próximos anos.

A pesquisa foi realizada entre os dias 5 e 9 de fevereiro, ouvindo 2.004 pessoas com 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.